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O 11 de Agosto da Psicanálise
(Algumas notas sobre a falta e o excesso de sentido)
Paulo Sternick
"A própria weltanschauung (visão-de-mundo) da
religião se comporta de maneira mais coerente, porque dá
explícita garantia de que nenhum pardal cai do telhado sem
a vontade de Deus" - S. Freud
O último eclipse solar do século e as profecias do
fim-do-mundo marcadas para o dia 11 de Agosto passado certamente
não amedrontaram os psicanalistas, ao contrário das
crianças, dos adeptos de seitas, dos temerosos de forma geral,
e dos portadores de angústias e dificuldades mentais - inclusive
as descritas por Freud no caso Schreber (1).
O susto, porém, não acabou, e a virada do milênio,
em breve, acena com novos temores: é a nova estação
do inferno. Mas ninguém, exceto analistas, está preocupado
com outro anúncio catastrófico, o do fim da psicanálise:
há um sentimento de que o 11 de agosto da Psicanálise
está se aproximando, que sua profissão, na virada
do ano 2000, esteja no fim. Até um grande encontro internacional,
marcado para o próximo ano em Paris – os "Estados
Gerais da Psicanálise" – poderia ser visto como
um grande ritual obsessivo de defesa contra essa grande angústia,
não tivesse, essa conferência, precisamente, um sentido
de tentar marcar o fim apenas de uma psicanálise que possa
estar dissociada dos anseios dos novos tempos.
O paleontólogo Stephen Jay Gould (de Harvard) lembra que
a espera de um cataclisma final pode provocar efeitos explosivos
na sociedade, conduzindo ao "colapso de todos os tabus e proibições".
De fato, "se só temos uma semana para viver, por que
obedecer às leis(2)?" E, se a psicanálise vai
acabar, como vaticinam os profetas da catástrofe, por que
manter-se fiel a seus princípios e leis fundamentais no trabalho
clínico? Há um evidente efeito deletério na
qualidade da atividade da psicanálise quando sujeita a uma
conjuntura na qual multiplicam-se visões pessimistas sobre
o futuro da aplicação desta ciência.
Os humanos, de forma geral, não têm muito talento para
acertar previsões catastróficas, mas é impressionante
como, paradoxalmente, podem se "vingar" dessa incompetência,
, fazendo com que profecias sejam auto-realizáveis. Tudo
se parece como se importasse menos o desastre do que a perda da
possibilidade de prever e controlar o futuro a qualquer preço.
Assim sendo, no caso da psicanálise, fica aberto o caminho
para uma exemplar "identificação com os agressores",
sejam eles os que sempre desacreditaram de seu valor terapêutico,
as terapias "alternativas" de caráter paliativo
e enganoso, ou as ênfases exageradas e totalmente irrealistas
sobre os supostos efeitos benéficos dos psicofármacos.
Fantasmas sempre invocados para assombrar e justificar uma menor
demanda aos consultórios, como se a psicanálise não
fosse, enquanto "ciência que desperta", em oposição
à "ciência que adormece" {nos dizeres de
Ferenczi( 3)}, uma das práticas minoritárias e estranhas
na sociedade.
É certo que já anunciaram o fim do rádio, do
cinema, do livro, do amor, do trabalho, da ciência e até
da história. Mas em cada caso, há questões
a ser consideradas. Estamos de acordo com Freud quando ele examinou
psicanaliticamente as idéias do fim-do-mundo, no estudo da
paranóia. Quando fez a psicanálise do "fim do
mundo". Estamos propondo que se faça uma psicanálise
do fim-da-psicanálise. Não há, todavia, como
denegar: passamos, como ciência, e como terapêutica,
um momento delicado, não apenas no Brasil, mas no mundo.
A hora é de trabalhar – e muito – para enfrentar
mais esta crise, cujo viés não é a derrocada,
mas o crescimento, na conscientização de nossos impasses
e na proposição de novos desafios.
Mas também não há como deixar de fazer justiça
à uma verdade: a psicanálise realmente acaba, muitas
maneiras de praticar a psicanálise já acabaram (algumas
delas, felizmente!), pelo menos em seu aspecto hegemônico,
mas terminaram porque tinham que terminar mesmo, eram estágios
inadequados, e até ridículos, momentos parciais da
aplicação de uma ciência que avança em
seus caminhos e descaminhos. Humana, demasiada humana.
A teoria e a técnica da psicanálise constituem aquele
tipo de criação humana que têm uma força
explosiva, porém paradoxal, tanto para a expansão,
quanto para a redução. Ou, como afirma o historiador
Paul Roazen ( de York), "idéias como as de Freud, ou
retém uma presença, o que estimula, ou se tornam jogos
menores, o que com certeza acabam com elas (o grifo é meu)".
Segundo Roazen, "seres humanos são tão interessantes
precisamente porque não podem ser capturados por fórmulas
pré-fabricadas" (4).
Nosso grande desafio é o de evitar que a psicanálise
constantemente seja transformada num desses "jogos menores",
inclusive quando se usa as contribuições das diversas
escolas teóricas para um pensamento menor. É curioso
que algumas práticas clínicas tenham sido superadas
pelo bom senso e hoje sejam lembradas com ironia, mas o mesmo não
se pode dizer de hábitos teóricos: continuam iguais.
Eu não tenho dúvida de que as teorias, a começar
pela mais fundamental e consistente de todas, a de Sigmund Freud,
mantêm sua impressionante coerência e vitalidade em
suas respectivas maneiras de perscrutrar a mente humana e suas produções.
Mas a personalidade humana é irredutível a qualquer
aparato teórico, cujos elementos são, para a atividade
da psicanálise, ao mesmo tempo imprescindíveis e insuficientes.
O que mais interessa nas teorias, porém, é o raciocínio
analítico, e não tanto o conteúdo concreto.
É a maneira de pensar, mais do que o que foi pensado. Mas,
hoje, mesmo se as levarmos ao limite, as teorias constituem, na
verdade, uma parte da bagagem de trabalho do psicanalista. Elas
devem deixar em sua mente apenas vestígios de sua passagem.
São extremamente insuficientes. Não se trata de falta
de teorias, ou de deficiência das existentes. Na verdade,
são excelentes. Apenas são muito pouco. O que o psicanalista
precisa a mais, ele não poderá obter diretamente dessas
teorias, esquadrinhando-as, remexendo-as, formalizando-as, como
se pudessem extrair delas um sentido oculto ainda não revelado.
Não poderá obter de nenhuma teoria de qualquer outra
disciplina, ou de teorias que serão criadas no futuro. Retorno
a Freud? Então, teremos que começar com Shakespeare.
É de si mesmo que o analista vai obter o que precisa, principalmente
junto a seu analisando - certamente um si mesmo que sofreu incidência
de análise pessoal, da metapsicologia freudiana, da experiência
de vida, vivência clínica, supervisão, auto-análise
sistemática e muita leitura crítica de psicanálise,
literatura, filosofia, ciência, etc. {Parafraseando Borges
( 5) , o psicanalista, aqui, deveria ser, antes de mais nada, um
homem da psicanálise que, baseando-se em inquietações
próprias, tenta aproveitar as possibilidades psicanalíticas
da literatura, filosofia, metafísica, matemática,
e, acrescentaríamos nós, do próprio hardware
teórico da psicanálise}. O analista, então,
vai obter o que precisa, como Freud o fez, no contato com seus analisandos,
mas, de preferência, sem suas distorções, de
querer confirmar suas teorias a qualquer preço. Melanie Klein
cometeu o mesmo equívoco. São problemas inerentes
aos construtores de grandes sistemas teóricos: não
precisamos, não devemos nos identificar com eles nesse particular.
Será que algum dia poderíamos desenvolver, sem senso
de culpa cientificista, um trabalho teórico coloquial, pleno
de lógica e de raciocínio analítico, porém
menos dissociado e abstrato? Freud foi um talentoso escritor que
explorou as possibilidades combinatórias que a língua
alemã oferece. W.R. Bion, horrorizado com os jargões
que atingiram até sua obra crítica, disse que foi
obrigado a procurar asilo na ficção. Winnicott pediu
socorro à linguagem coloquial. Outro dia estava lendo um
autor lacaniano de São Paulo, Jorge Forbes, tive uma grata
surpresa: achei excelente (veja-se "A palavra e o gesto do
analista", Jorge Zahar Editor), inteligível, revelando
que a obscuridade não detém o monopólio da
consistência, como pretende certas imposturas cientificistas.
Diante de cada pessoa com sua alma sempre imprevista e singular,
talvez o segredo da expansão da psicanálise resida
na arte com que o psicanalista vai conseguir deixar de lado seus
chavões e clichês, para observar, escutar e pensar
aquilo que se apresenta à sua frente. Digo observar não
apenas o objeto, no sentido positivista estrito, mas observar a
partir mesmo de sua free floating attention, a intuição
e o que se experimenta naquela sala. O que os olhos não vêem
e os ouvidos não escutam, a intuição pode captar.
Se a teoria está presente na observação, não
precisamos concordar necessariamente com esse lugar-comum da epistemologia,
de que toda observação é teoria. Às
vezes, a observação, em nosso sentido ampliado, é
casual, descobre fatos novos. E até refuta a teoria.
O analista interessado em avançar por essa linha deve estar
preparado para ser enquadrado em certas categorias desqualificadoras
por comentadores medíocres travestidos de sérios e
ortodoxos. E, principalmente, suportar a angústia causada
por um sentimento de culpa cientificista, de não estar trabalhando
estritamente de acordo com o corpo teórico e com o modelo
aprendido junto às fontes de formação. Deve
ser capaz de substituir o rigor falacioso dos establishments (ipeísta,
lacaniano,etc.) por uma ética psicanalítica estrita
inseparável de sua autonomia e criatividade analiticamente
desenvolvidas. Na verdade, devemos ser capazes de - através
de uma rigorosa criatividade - expropriar da obtusidade dogmática
o monopólio da seriedade.
O analista precisa muito da arte – vejam, estou propondo agora
evoluir da técnica para a arte - de receber psicanaliticamente
uma pessoa, de se aproximar daquilo e saber pensar o que está
acontecendo naquele encontro. Precisa também da arte de formular
o que observa e intui. Não digo que não vai ser auxiliado
(caso saiba manejá-los com originalidade) tanto pelo saber
adquirido em sua ciência, como o extraído também
do pensamento humano, tal como expresso na Literatura, na Filosofia,
nas Artes e Ciências de modo geral. Freud, na verdade, fez
isso. Mas isso dificilmente pode ser ensinado, vai depender mais
de como cada psicanalista, tendo levado sua própria análise
tão adiante quanto possível, consiga se livrar do
peso de suas inadequadas e insuficientes "formações
psicanalíticas", de suas infantis lealdades (leia-se
dependências) transferenciais, e verificar se dispõe
de recursos internos para poder pensar com autonomia, ética,
coragem, rigor e seriedade. Hoje, só há uma formação
psicanalítica rigorosamente ética: a que se obtém
além de instituições que concedem titulação,
reconhecimento oficial ou coisa semelhante, embora se possa partir
inclusive delas.
Referi-me mais acima a "receber psicanaliticamente uma pessoa".
Gostaria de esclarecer esse ponto. Hoje se fala muito que os pacientes
que chegam aos consultórios são diferentes, não
se enquadram nos modelos conhecidos dos pacientes de análise,
e assim por diante. Menciona-se diagnósticos, aquela coisa
de sempre, histéricos, obsessivos, fóbicos, enfim,
agora vêm os limítrofes, perversos, narcísicos,
psicóticos, aqueles termos todos que nem as pessoas que os
enunciam compreendem exatamente a que estão se referindo,
comparativamente à personalidade mesma da pessoa que chega.
Eu desconfio, sinceramente, que se pudéssemos classificar
os seres humanos, precisaríamos de muito, mas de muito mais
categorias, mas deixemos essa controvérsia de lado: ela não
vai ter fim. Não gostaria de abrir uma querela, tampouco
atacar velhos dogmas religiosos, antigas canções psicanalíticas
evocadas décadas após décadas com tanta paixão.
É um conhecimento que serve de simplificação
comunicativa, são categorias que procuram reunir alguns traços
essenciais de uma pessoa. Mas, sinceramente, não dizem muito.
Então, quando afirmo "receber psicanaliticamente uma
pessoa", eu estou quase fazendo uma contradição
em termos. Mas gostaria de "receber psicanaliticamente uma
pessoa" sem que houvesse essa contradição. Porque
contradição é existir essa contradição!
Acho que já estou esclarecendo algo. Depois, gostaria de
acrescentar que "receber psicanaliticamente uma pessoa"
implica que eu esteja consciente tanto da singularidade de quem
chega quanto dos princípios básicos de minha ciência
clínica; que eu realmente tenha noção daquilo
que aquele encontro suscita e provoca na pessoa que eu recebo, e
em mim próprio. Ou seja, desde o início, ciente dos
fenômenos da transferência, das armadilhas e mistérios
das associações de idéias, da vertigem da livre
atenção flutuante, dos obstáculos da resistência,
do muro do recalque e, em suma, que eu esteja sensível ao
descentramento radical do sujeito e àquela experiência
fascinante de cada sessão, para além do meramente
sensorial.
Hoje, há analisandos que vêm, se deitam no divã,
fazem associações de idéias, e nós vamos
experimentando tudo aquilo que a regra básica nos ensinou
e que é o fundamento inatacável da psicanálise.
Mas há outras situações para as quais devemos
estar preparados sem preconceitos. Aqui, a psicanálise não
fica tão ostensiva, ela vai ter que fazer um recuo tático,
ela pode até se tornar incidental. É aqui que o psicanalista
vai ser colocado ainda mais à prova em sua flexibilidade
criativa, em sua elasticidade técnica. Ele terá que
suportar seu senso de culpa ortodoxo para poder aceitar trabalhar
com pessoas que "não sabem fazer análise".
A teoria não é ruim. Podemos usá-la em situações
simples. Freud interpretou a fantasia de fim-de-mundo como uma retirada
de catexia libidinal até então dirigida para as pessoas
e o mundo externo. A analogia é útil também
para o sentimento do fim-da-psicanálise. Freud acrescentou
que o sentimento de fim-do- mundo seria também a projeção
de uma catástrofe interna, uma derrocada do mundo subjetivo
(o grifo é meu), uma retirada total do amor, formulação
que certamente seria endossada por Melanie Klein. Desta autora,
hoje injustamente em eclipse em decorrência do mau uso obtuso
e totalitário a que foram submetidas suas férteis
contribuições, temos, por exemplo, a ênfase
na pulsão de morte e na voracidade. Eu faria uma indagação
se o sentimento, aqui e ali difundido entre os próprios analistas,
de fim de sua profissão, não teria alguma ligação
(além da paranóia habitual) com a voracidade em relação
à sua própria ciência, que não pode mais
gratificar seus gulosos desejos de "furor curandis", onisciência
e riqueza material, provocando uma decepção, a consequente
retirada de vinculação libidinal e a idéia
de seu fim.
O Universo surgiu há 10 ou 15 bilhões de anos. Stephen
Jay Gould diz que "no fim de contas, não faz tanto tempo
assim que estamos aqui, a espécie humana é muito jovem,
cerca de 200 mil anos apenas. Do ponto de vista cultural (ou civilizatório?),
não temos muito mais de 5.000 anos (acho que Gould contou
um pouco por baixo). A linguagem e a tecnologia estão ainda
no início, as coisas mais surpreendentes, espantosas, entusiasmantes
podem acontecer, ainda não começamos a explorar as
possibilidades de organização social e tecnológica."
Comparado a isso, a psicanálise ainda está de fraldas.
Seria infanticídio supor seu fim. Mas se ela está
de fraldas, ainda precisa crescer.
Quase todos os cientistas interessados na evolução
da espécie concordam que vivemos na face da Terra por obra
de um grande acaso. Tivemos nossa grande chance, mas ela não
se repetiria. Acredito que todos concordam que, no plano individual,
isso também é verdade. Freud parece de acordo, ao
enfatizar que "gostamos de esquecer que, a rigor, tudo em nossa
vida é acaso, desde nossa gênese, a partir do encontro
entre o espermatozóide e o óvulo" ( 6 ). Mas
ele acreditava no acaso externo, real, não em casualidades
psíquicas, internas. Era francamente causalista e determinista.
Rastreei em sua obra um diálogo constante de Freud com a
noção de acaso. Freud interpelou a casualidade opondo-lhe
a causalidade, para fundar o método psicanalítico
– nos atos falhos; nos sonhos; nos sintomas; e, na análise
clínica (as associações de idéias aparentemente
"ao acaso", por exemplo, podendo conduzir ao recalcado).
Deplorava a noção de acaso, e até achava que
a religião se comportava de maneira mais coerente (veja epígrafe
acima), naquela história de que "nenhum pardal cai do
telhado sem a vontade de Deus" (7). Ou seja, a menção
do acaso sempre é o coelho da cartola da resistência.
Com isso concordamos plenamente. Mas Freud nos surpreende quando
afirma: "Uma grande soma de pré-requisito intelectual
é pré-condição para se acreditar no
acaso; os povos primitivos e os povos sem instrução,
e certamente também as crianças, conseguem atribuir
um motivo para tudo o que acontece" (8).
Esta crítica quase inconsciente, paradoxal, inadvertida ou
indireta de Freud a si próprio e aos psicanalistas (primitivismo,
incultura e infantilismo) – não chamou seu grupo de
horda selvagem? - desponta como antídoto para os exageros
e perversões de seu método determinista e causalista,
capazes (os exageros e perversões) de esmagar, ao invés
de iluminar, a subjetividade do analisando, e indispor a psicanálise
com a cultura. Se as manifestações psíquicas
dos humanos têm um sentido que pode ser compreendido e conscientizado
em suas motivações inconscientes, o método
psicanalítico ainda carece de conciliar-se com a sabedoria
e a serena constatação de que se constitui num convite
modesto e incômodo de tentar apresentar incidentalmente o
homem a si próprio.
Para tanto, há de respeitar as singularidades, e conviver
com alguns paradoxos. Por exemplo, o do causalismo e da casualidade.
A psicanálise sobreviverá a todas as crises, se preservar
seu instrumento, atualizando seu pensar com o moderno pensamento
científico, afiando sua capacidade de reconhecer a diversidade
e o mistério da espécie, e não retirando a
"catexia libidinal" da vida mental e emocional dos humanos,
substituindo-a por um abstracionismo e um formalismo - mesmo que
seja no trabalho teórico de retaguarda. Um destino catastrófico
pode ser pressentido se a compreensão não for apenas
residualmente auxiliada, mas substituída por esse abstracionismo
e formalismo que podem provocar o sentimento de fim-da-psicanálise.
A "derrocada do mundo subjetivo", a que se referia Freud
mais acima. Há um paradoxo fundamental a acrescentar: devemos
ser capazes de segurar nosso conhecimento e aprimorar nossa sabedoria:
esse é um dos segredos do futuro da psicanálise. Respeitar
o além-do-sentido e o além-do-nomeável, para
que o sentido e o nomeável façam "sentido"
na sua falta, e não em seu excesso.
Leblon, 19 de Agosto de 1999
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Paulo Sternick é psicanalista no Rio de Janeiro e em Teresópolis,
editor-científico de Gradiva e membro da Société
Internationale d’Histoire de la Psychiatrie et de la Psychanalyse
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Menções
1) Freud, S. – "Notas Psicanalíticas sobre um
relato autobiográfico", Obras Completas, volume XII,
Editora Imago
2) Gould, Stephen Jay – "Entrevistas sobre o fim do mundo",
Editora Rocco (no prelo)
3) Ferenczi, S. – "Ciência que adormece, ciência
que desperta", Obras completas, volume III, Editora Martins
Fontes
4) Roazen, P. – "Como Freud trabalhava", Editora
Companhia das Letras
5) Borges, J.L. – Entrevista a Juan José Saer, 1968,
publicado pela "Folha de São Paulo", 1 de agosto
de 1999
6) Freud, S. - Freud, S. - "Leonardo da Vinci e uma lembrança
de sua infância" , Obras Complertas, vol. XI, Editora
Imago
7) Freud, S. – Conferências II e III, de "Conferências
Introdutórias de Psicanálise", Obras Completas,
vol. XV, Editora Imago
8) Freud, S. - Conferência XXXIII, "Novas Conferências
Introdutórias de Psicanálise", Obras Completas,
vol. XXII, Editora Imago
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