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A HETERIDADE DE LACAN
Antonio Quinet
Lacan sempre manifestou em seu ensino o interesse e a consideração
pelo outro. É o que encontramos desde o estádio do
espelho, apresentado em 1936, até seu seminário de
15 de Janeiro de 1980 em que utiliza o termo Heteridade, significante
novo derivado do grego Heteros. Proponho traçar um rápido
panorama que vai da alteridade à heteridade evocando cinco
modalidades de outrem em Lacan; o outro imaginário, meu semelhante;
o grande Outro do inconsciente; o outro êxtimo, o objeto a;
o outro do laço social e o Outro gozo.
Para tal fim convido o leitor a fazer a experiência da “Outralíngua”,
a língua como Outra que caracteriza nossa comunidade poliglota
e polifônica com a presença de diversas línguas
estrangeiras. Levar em consideração a Outra língua
é não aceitar a língua Una, a língua
do Um seja uma paródia esperanto seja aquela que a globalização
tenta nos impor. Ao lado do “Um encarnado em Alíngua”
(Encore, 131), pensemos em “A outralíngua”, o
para-além do Um da língua, “l’Outre-langue”,
deixando-nos banhar pelos reflexos do cristal d’Alingua Outra.
“It is not easy to speak in a country which is perfectly
strange for me”, “não é fácil falar
num país que é perfeitamente estrangeiro para mim”,
disse Lacan na Yale University em novembro de 1975, quando propôs
que se estude o que caracteriza o inglês em oposição
às outras línguas. A consideração pela
Outra língua levou Lacan a se interessar pelo japonês
e pela “injeção” de palavras de outras
línguas no inglês tão particular de James Joyce.
Voyons donc les modalités de l’autre chez Lacan. Vejamos
portanto as modalidades do outro em Lacan.
1. O outro, meu semelhante
Lacan desfaz a ilusão de completude, a pretensão
de síntese e a miragem da unidade do EU, mostrando que eu
é, antes de mais nada outro. E aquele que vejo na minha frente
que penso ser outro é igual a mim. Meu semelhante onde paranoicamente
meu projeto é o outro-eu mesmo nesse mundo imaginário
do especular onde ambos estamos mergulhados.
Esse próximo que se me assemelha, e a quem me ensinaram
dever amar, é antes um intruso. Por ser igual é rival.
Constituído pela imagem do outro, o eu está para sempre
alienado a seu outro-ideal. O que Freud descreve como o eu-ideal,
é encarnado pelo outro-ideal que o neurótico sempre
encontra dentre seus camaradas. Esse outro é experimentado
e percebido como um intruso que invade e rivaliza com o eu pelo
mesmo lugar. No entanto é o eu que vem primeiramente usurpar
o lugar do sujeito, Esse intruso, o eu, o sujeito o percebe como
outro.
Lacan descreve o estádio do espelho, the looking-glass phase,
inicialmente como um avatar do complexo de intrusão, correlato
psíquico do nascimento de um outro, o irmãozinho,
percebido como um intruso que vem apropriar-se do lugar que o pequeno
sujeito imagina ocupar no desejo do Outro. Mas o sujeito identifica-se
com este outro de modo imaginário: e o outro torna-se indissociável
do eu e, pior, o eu do outro. Essa bipolaridade caracteriza o registro
imaginário e constitui a infelicidade do homem pois o outro,
quando não é objeto de desejo, é um estorvo,
um inferno.
Esse outro que é meu semelhante é minha alteridade
egóica, projeção narcísica de meu eu,
espelho que me envia minha própria imagem a ponto de considerá-lo
semelhante. Este outro se é alter, é alter-ego, nada
mais do que meu ego alter-ado. Ele é o caramujo que encerra
no âmago de sua carapaça imaginário o objeto
que causa tanto meu ódio quanto meu maravilhamento.
O par imaginário do eu e seu outro-duplo baila e briga na
cena visual que constitui uma barreira para a Outra cena. O espelho
é um anteparo ao inconsciente; o imaginário do olho
da consciência, uma cortina à determinação
do simbólico. Eu-outro desconhecemos que o espelho é
o Outro do inconsciente.
2. O grande Outro
O grande Outro como Outro do sujeito é um lugar; é
o Alhures onde se pensa sem pensar, é a Outra cena em que
se sonha, é o Outro palco em que se encena. É o lugar
de onde se coloca para o sujeito a questão de sua existência.
A própria condição do sujeito depende do que
se desenrola no Outro. Freud extraiu de Fechner a idéia de
um lugar psíquico para o inconsciente que Lacan iria transformar
no conceito do grande Outro. “Des grosse Fechner spricht in
seiner ‘Psychophysic’ [...], die Vermutung aus, dass
der Schauplatz der träume ein anderer sei als der des wachen
Vorstellungslebens [...] . Dis idee, die uns so zur Verfügung
gestellt wird, ist die einer psychischen Localität”.
“... o grande Fechiner apresentou a idéia de que a
cena de ação dos sonhos é diferente (outra)
daquela da vida ideacional de vigília”.[1]
É a Outra cena, o Outro palco, o lugar do Outro e seu discurso
é o Inconsciente. Alteridade, descoberta por Freud que arranca
do sujeito do centro do psiquismo, o Outro do inconsciente estabelece
uma “heteronomia radical”, como diz Lacan, e “sua
presença, só pode ser correspondida num grau secundário
da alteridade, que já o situa, a ele mesmo, uma posição
de mediação em relação a meu próprio
desdobramento de mim comigo mesmo como também com o semelhante”.[2]
Esse Outro distinto do outro que é meu semelhante, igual
e rival constitui a alteridade do simbólico e da linguagem,
onde o sujeito encontra não sua identidade mas sua representação:
nos significantes que vieram daqueles que para ele ocuparam em sua
história esse lugar: Pai, Mãe, etc. A começar
pelo “Outro primordial” que é a Mãe. Não
que ela seja o Outro, pois o Outro é um lugar, mas que tenha
vindo “como que” ocupá-lo. O sujeito personaliza
esse lugar do Outro pois é o lugar a quem endereça
seu amor fabricando um Outro como um solar do amor pelo efeito de
sua palavra. Ao articular a fala, o lugar do Outro aparece e é
transferido aquele a quem eu a endereço pois ela é
também minha demanda. Assim a fala institui o Outro do amor,
que é o Outro da transferência, lugar que o analista
é chamado a ocupar. This is the big Other which can be taken
as a big Mother or as the big Brother – that is the principle
of alienation. The Mother as big Other may smother, even as the
Other of love. Eis o grande Outro que pode ser tomado como a Mãezona
ou o grande Irmão – esse é o princípio
da alienação. A Mãe como grande Outro pode
sufocar, até mesmo quando é o Outro do amor. Mas o
sujeito é por definição desamado considerando
o Outro um desalmado. São as mulheres que mais nos ensinam
que o Outro do amor é um desalmado pois ele não as
arranca de seu casamento com a solidão. Mas é por
que o Outro falta. A inscrição da falta no Outro que
Freud chamou de castração o faz inconsistente e faltoso
sem garantias. O Outro não existe. O sujeito como falta-a-ser
não encontra o que lhe falta no Outro. He is want-to-be –
tradução proposta por Lacan para manque-à-être,
and that is why he is a subject of desire, e eis porque ele é
sujeito a desejar.
Por outro lado, o Outro personificado se torna a sede e a sede
do poder, na medida em que o sujeito é alienado aos significantes
que vieram do Outro com a série de “tu és”.
Versão big Brother.
The lack of the Other is the principle of separation, A falta do
Outro é o princípio da separação. S
( ) é o matema da psicanálise que significa Sem Outro
ou Sem Álibi, ou ainda, a verdade não toda, como diz
Lacan em Televisão: “I always speak the truth. Not
the whole truth, because there’s no way, to say il all. Saying
it all is literally impossible: words fail”. “Digo sempre
a verdade: não toda, porque dizê-la toda não
se consegue. Dizê-la toda é impossível materialmente:
faltam as palavras”.
3. O objeto a
Esse outro que é efetivamente radical Lacan o considerou
nada menos do que a sua contribuição à psicanálise,
esse outro que se aloja lá no âmago do Outro do amor
em sua hiância sem representação causando meu
desejo e provocando minha angústia. “Eu o chamei pequeno
a, disse Lacan em Milão em 1973, por que é a inicial
de outro em francês, do que se chama l’autre, exceto
que, justamente não é o outro, não é
o outro sexo, é o outro do desejo, é o que constitui
a causa do desejo”. È l’oggetto picolo a. É
o objeto que vem na fantasia responder à pergunta do desejo:
Che vuoi?
O objeto a é o suporte de tudo o que interessa o sujeito,
ele se encontra em todos os objetos libidinizados do mundo. Esse
objeto-outro que se declina segundo as pulsões, é
o que o sujeito busca no Outro, parceiro sexual, solar do amor,
para satisfazer à exigência pulsional. Não há
“acesso ao Outro do sexo oposto, diz Lacan, senão pela
via das pulsões parciais através das quais ele busca
um objeto que lhe reponha essa perda de vida que lhe é própria
por ele ser sexuado”.[3] O Outro é reduzido a esse
objeto em torno do qual a pulsão faz a volta e que se encontra
no quadro da fantasia que o sujeito projeta no telão do grande
Outro.
L’oggietto picolo a è qualcosa che sfugge ma che l’analisis
há finito per aferrare, ed è quel rapporto del tutto
radicale che gira intorno al seno, che concerne anche l’escremento,
e poi... lo sguardo e anche la voce” O objeto a é algo
que escapa, mas que a análise acabou apreendendo, ele é
o que se relaciona com tudo o que radicalmente gira em torno do
seio, que concerne até o escremento, - e mais... o olhar
e a voz”.[4] Oral, anal, olhar e voz. O olhar e até
a voz. Assim o objeto a se declina em objeto oral, anal, escópico
e invocante.
Lacan diz que é em nome do objeto a que ele fala tanto na
televisão quanto em seu seminário. Seu exemplo é
o olhar de Beatriz para Dante, esse tantinho de nada, um batimento
de pálpebras que o faz luzir como uma faísca do Outro
gozo ao qual ele tão somente tem acesso por meio desse objeto
em sua episódica substância escópica.
O objeto a é aquilo que é produzido pela linguagem,
na repetição significante, repetição
que fracassa em atingir o gozo buscado e, ao mesmo tempo produz
gozo, e até mesmo gasta gozo. Gozo perdido não contabilizado
é o objeto mais-de-gozar: Il plus godere è prodotto
dall’efetto di linguaggio, diz Lacan ainda em Milão
em maio de 1972.
Efeito da linguagem o objeto a é parte integrante da fantasia
através da qual apreendo a realidade. E se essa me interessa
é por que lá se encontra esse outro estranho-familiar
a me instigar, provocar, causar. Mas eu sei através da angústia
que para o Outro eu sou também o objeto a saciar pulsões.
E é nesse objeto que penduro o ser que não encontrei
no significante, o ser que a palavra não me entregou. Por
mais alter que seja o objeto a é onde tento agarrar meu ser
de simulacro. Meu semblante de ser é o outro, esse outro
íntimo e exterior. Stranger in the light, um estranho na
luz.
4. O outro do laço social
Os quatro discursos escrevem os laços sociais onde o outro
não é mais algo específico mas um lugar que
pode ser ocupado por quatro tipos de outro, segundo a maneiro como
este é tratado. Los discursos son modalidades de tratamiento
del outro. El outro alli no es un semblante, no es un outro de parecer,
pero un outro del lazo, submetido a la structura dsiscursiva que
condiciona su lugar en los actos de governar, educar, psicanalizar
y hacer desear. El parecer esta del lado del agente del discurso,
es lugar del semblante. Os discursos são modalidades de tratamento
do outro. O outro aqui não é um semelhante, não
é um outro de semblante e sim um outro do laço submetido
à estrutura discursiva que condiciona seu lugar nos atos
de governar, educar, psicanalisar e fazer desejar. O semblante está
no lugar do agente do discurso, ele é um faz-de-conta. Utilizando
o semblante do objeto a, como agente, o discurso do analista é
o único laço social que trata o outro como sujeito.
Os outros discursos tratam o outro como um escravo, como um objeto
ou como um mestre castrado.
Lugares |
| Discurso do mestre |
Discurso da histérica |
| Discurso do universitário |
Discurso do analista |
| |
|
Nas relações de poder, como mostra o discurso do
mestre, o outro é escravizado e reduzido a um gerador de
objetos de gozo. Nas relações de saber, encontramos
a perversão da burocracia e da educação ao
tratar o outro como um objeto gozoso, como ocorre quando a ciência
serve ao discurso do universitário. E nas relações
próprias ao discurso do capitalista, o outro nem pode ser
encarnado por ninguém, pois o outro aqui é um mero
objeto de consumo, uma mercadoria, fabricada pela ciência
tecnológica. O discurso do capitalista implica a foraclusão
da castração e por conseguinte a exclusão do
investimento libidinal e diferencial no outro do laço. O
outro é foracluído do laço capitalista daí
o empuxo-ao-autismo de um gozo mercadológico.
Os laços sociais, mostram diferentes modos da presença
do Um representado pelo significante mestre. O discurso do mestre
faz existir o grande Outro encarnado pelo Um como semblante do poder
dominando todos os outros; no discurso universitário, em
que o saber está no lugar do semblante, o Um está
no lugar da verdade, e no discurso histérico o Um está
no lugar do mestre do saber. Seja como governante, como autor ou
como mestre e senhor, o significante-mestre é passível
de ser encarnado nos discursos, com exceção do discurso
do analista. Este desvela que o Um não é ninguém,
sua verdadeira natureza é de puro significante. O Um não
é de ninguém; é a presença do significante
que faz existir o Um. E o outro do laço social é diversificado
e múltiplo.
5 – O Outro gozo
A quinta modalidade do outro é o Outro gozo referido por
Lacan ao gozo que se encontra no lado feminino da partilha dos sexos.
Este Outro, com maiúscula, Lacan o qualifica com o termo
grego Eteron Heteros. Esse Outro gozo é derivado da lógica
do não-todo (pas tout) da sexualidade feminina.
Lacan propõe duas lógicas distintas para dar conta
da sexuação masculino-feminino. A primeira é
a lógica fálica do Um que constitui um universo a
partir da exceção ( )que por sua exclusão forma
um conjunto fechado, uma totalidade, ou, como ele chama um todo
( ). Articula assim o UM (da exceção figurado no Pai
da horda primitiva) com o TODO do batalhão fálico
dos homens.
A segunda lógica, que ele propõe para se pensar o
sexo feminino, é uma lógica distinta da lógica
do Um e do todo. Ela a denomina a lógica do não-todo,
"pas tout" ( ) na medida em que a mulher está "não-toda",
pas toute, inscrita na lógica fálica. Há uma
incompletude fundamental do “ser mulher”, não
permitindo qualquer categorização das mulheres. Les
femmes ne font pas un TOUT. L’Eteros, est celui “qui
ne peut s’étancher d’univers.[5] As mulheres
não constituem um todo, uma totalidade. O Heteros é
aquele “que não pode impermeabilizar um universo”.
A lógica do "pas tout" não constitui universo
pois não há aqui o UM da exceção ( )
que poderia fazer existir um conjunto fechado como um todo. É
uma lógica OUTRA, Hétera, uma lógica da Heteridade.
Ele opõe assim ao Um o Outro e ao todo o não-todo,
e à completude a descompletude. E podemos continuar seu desdobramento:
ao gozo do Um se opõe o gozo Outro, sem limites, ao poder
do Um o impossível do Heteros, ao instituído o diferente,
e à exceção a diversidade.
| Um |
Outro |
|
Universo |
Não-universo |
|
Todo |
Não-todo |
| Poder |
Impossível |
| Gozo do Um |
Gozo sem limites |
O instituído |
O diferente |
O Outro aqui, como gozo, é diferente do Outro da linguagem,
que este é barrado, falta. É o Outro que não
existe. O Outro falta, mas Heteros existe. O Outro que existe deve
ser pensado, diz Lacan ainda no Etourdit, “en tous sens le
plus étranger”, “em todos os sentidos como o
mais estrangeiro”. Lacan se refere ao Parmênides de
Platão onde ele distingue o Heteros tanto do Um quanto do
ser. Suponho que seja o trecho em que Platão, para distinguir
o Um do ser, disserta sobre a participação do Um no
ser e do ser no Um sendo, no entanto, distintos, diferentes, outros
um em relação ao outro. Na seqüência podemos
ler: “Se portanto o ser é outro e o Um outro, não
é absolutamente sua unidade que faz do Um ser diferente (outro)
do ser; não é a realidade de seu ser que faz do ser
outro (diferente) do Um; é o diferente (outro) que os diferencia
mutualmente – Assim o Heteros não é idêntico
nem ao Um nem ao ser”. “Wste ou tauton estin oute tw
eni oute th ousia to eteron”.[6]
Continua Lacan: l’Heteros “peut se décliner
en l’Hetera, s’étherise, voire s’hétaïrise...”,
“o Heteros pode se declinar em Hetera, se eteriza e até
mesmo se hetairiza. Hetera em grego significa a concubina, a mulher
do desejo. Se eteriza – se evapora pois o gozo Outro é
inapreensível como o éter. Se hetairiza – vem
de hetairia, associação de amigos ou associação
política. Com isso Lacan indica que uma associação
pode ser derivada de Heteros e/ou que Heteros ao se associar em
pares corre o risco de se evaporar. Eis uma indicação
para pensarmos uma Escola de psicanálise que não deve
excluir a lógica e a ética derivadas da Heteridade.
Quem se encontra do lado feminino tem relação com
o Outro gozo, como as mulheres que encarnam o Outro sexo, é
por isso que uma mulher é também Outra para si mesma.
Mas não são só as mulheres que podem encarnar
o Heteros. Na democracia grega, o Outro do cidadão são
a mulher, o estrangeiro (metec), o escravo. E na mitologia, nos
ensina Vernant, encontramos
Artemis, Dionísio e Medusa.
O gozo do Outro admite a categoria do impossível na medida
em que ele não cessa de não se escrever – a
linguagem não o apreende – ele escapa ao significante-mestre
e por isso ele também escapa ao laço social, não
deixando se conter em um discurso estabelecido. E no entanto ex-siste.
Rejeitar a existência do gozo do Outro – e há
várias formar de rejeitar como segregar, calar, excluir,
e até mesmificar através da assimilação
– é uma forma de racismo. Lacan nos propõe,
em Televisão, “Laisser cet Autre à son mode
de jouissance, c’est ce qui ne se pourrait qu’à
ne pas lui imposer le nôtre, à ne pas le tenir pour
un sous-développé”. “Deixar esse Outro
a seu modo de gozo, o que só pode ser feito ao não
lhe impor o nosso, ao não considerá-lo um subdesenvolvido”.
Heteridade, é o estado de abertura ao Heteros, ao Outro
levando em conta seu gozo. Como impossível: a se escrever,
a se ordenar, a se prever, a se prescrever por que ele é
por definição sempre Outro, assim com a língua
do estrangeiro é estranho mesmo quando é familiar,
é Heteros.
Rio de Janeiro, 11 de abril de 2001
Texto apresentado no colóquio “2001- Uma odisséria
lacaniana”
[1] Freud, S. Die traumdeutung, Frankfurt, Fischer Taschenbuch
Verlag, 1983, p. 436; A interpretação dos sonhos,
Rio de Janeiro, SEB, Imago, v. V, p. 572.
[2] Lacan, Jacques, Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor,
p. 529.
[3] Lacan, Jacques, Escritos, p. 863.
[4] Lacan, Jacques, Excursus, Milano, febbraio 1973.
[5] “Etourdit”, Scilicet, p. 23.
[6] Platão, O Parmênides [143 e].
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