| |
<
voltar
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA ECONÔMICA
Trajetória e perspectivas de trabalho
Vera Rita de Mello Ferreira
INTRODUÇÃO
Convido vocês a iniciar uma espécie de viagem, para
percorrer um roteiro que não é propriamente turístico,
mas talvez apresente semelhanças a entrar em alguns novos
territórios, e ao mesmo tempo poder reencontrar velhos conhecidos.
Tentarei ser um pouco a guia de viagem, e estou também muitointeressada
em escutar as repercussões que possam surgir em cada um dos
participantes.
O objetivo da viagem é conhecermos um pouco da história
da psicologia econômica, uma disciplina que apenas nos últimos
anos vem se desenvolvendo de forma mais sistemática, não
tendo ainda chegado propriamente ao Brasil com esse formato, e sua
interrelação com o outro lado da moeda, sua 'ciência
gêmea', por assim dizer, que é a economia comportamental.
Daremos exemplos, através da trajetória de alguns
estudiosos, de como essa área sempre enfrentou inúmeras
dificuldades para se estabelecer como uma disciplina que deve ser
respeitada. E como tal, considerada para contribuir para o exame
das questões relativas à economia, onde as principais
teorias vigentes nas últimas décadas não vêm
dando conta de apreender os fenômenos que podemos observar.
Por fim, discutiremos as maneiras como a psicologia econômica
poderia começar a se instalar no país, a partir de
alguns vértices que estaremos selecionando, onde se destaca
a psicanálise.
PSICOLOGIA ECONÔMICA – história e campos de
pesquisa
A partir de 1976, passaram a acontecer colóquios, encontros
de estudiosos que se interessavam pela interface entre a psicologia
e a economia, na cidade de Tilburg, na Holanda. A princípio
informais, foram ganhando regularidade e organização,
até que em 82 fundou-se uma associação –
IAREP – The International Association for the Research of
Economic Psychology, composta por psicólogos, economistas
experimentais, administradores de empresas, especialistas em marketing
e comportamento do consumidor. É significativo observar como
durante muitos anos, a IAREP funcionou parcialmente em conjunto
com o European Institute for Advanced Studies in Management-EIASM,
que organiza cursos e seminários na área organizacional,
ou seja, com uma proximidade a uma vertente potencial de aplicação
e utilização por empresas e instituições.
Hoje a psicologia econômica está bem estabelecida
na Europa, com centros em cidades da Inglaterra, Holanda, Áustria,
França e Suécia, entres outros. Esse campo é
considerado por alguns como um ramo da psicologia social, e pode
também receber outros nomes, como: economia comportamental;
psicologia do consumidor; sócio-economia; psicologia das
tomadas de decisão; psicologia organizacional ou ocupacional.
Seu objetivo é o estudo interdisciplinar do comportamento
econômico – investigar como a economia influencia a
vida das pessoas, seus sentimentos, pensamentos e comportamentos,
e como esses elementos, por sua vez, podem influenciar a economia,
havendo numerosos problemas práticos e acadêmicos para
os quais ela poderia contribuir. Uma grande importância é
dada à pesquisa empírica, embora haja também
interesse por teoria psicológica e econômica, para
se proceder às investigações.
Uma pesquisa recente entre os membros da IAREP destacou as seguintes
áreas de interesse como as principais neste momento: comportamento
do consumidor; comportamento econômico de crianças
e socialização econômica; e-commerce; publicidade;
comportamento organizacional; psicologia trans-cultural; tomada
de decisão; psicologia do trabalho; meio-ambiente; administração
financeira; identidade social e nacional; economia experimental;
impostos e taxação; representações sociais.
Em seus primórdios, encontramos uma figura de proa que se
estabeleceu como uma espécie de marco inicial - George Katona,
um psicólogo húngaro-americano que escreveu o livro
"Economia Psicológica", em 1975, seguido depois,
nessa incursão pioneira, pelo psicólogo Amos Tversky
e pelo economista Richard Thaler, de quem falaremos adiante com
mais detalhe.
Atualmente, alguns autores, como Stephen Lea, professor em Exeter,
que é um dos centros ingleses da psicologia econômica,
vê alguns pontos de semelhança entre a economia e a
psicologia, como a sua origem, por exemplo, que seria, ao menos
no que diz respeito ao mundo anglo-saxônico, a escola britânica
de filosofia empiricista. Lea aponta o fato de que tanto Adam Smith
como William James, considerados respectivamente os pais da economia
e da psicologia, começaram suas carreiras intelectuais como
filósofos dessa escola de pensamento.
Essa origem comum, no entanto, não impede que hoje em dia,
utilizem abordagens diferentes e cheguem também a conclusões
diversas. Lea oferece algumas observações para justificar
essa divergência – enquanto a economia trabalha fundamentalmente
com uma grande teoria geral – a chamada teoria neoclássica,
que postula um comportamento sempre racional, e auto-regulatório,
isto é, sempre visando o próprio bem-estar e os ganhos
por parte dos indivíduos, o que constitui então o
'mainstream', a corrente principal que norteia os estudos econômicos
- a psicologia moderna, na sua opinião, trabalha mais com
dados, tendo descartado as grandes teorias potencialmente unificadoras
– e ele inclui aqui a psicanálise, como exemplo de
teoria abandonada. Mas discutiremos esse ponto com mais vagar à
frente.
Ainda de acordo com o autor, existe também uma dificuldade
quanto ao interesse de muitos psicólogos acadêmicos,
que se ressentiriam de uma aplicação da psicologia,
especialmente no campo comercial. Assim, preferem ficar com teoria,
ou com dados obtidos apenas em laboratório, desprezando as
informações que se poderia obter na observação
da prática. Ao mesmo tempo, esbarra-se em outro tipo de problema
com relação à psicologia aplicada, como se
pode encontrar na área ligada a consumo, comportamento do
consumidor etc – as informações sobre como 'ganhar
dinheiro', por assim dizer, têm valor comercial, e isso se
traduz pelo fato de que, quanto mais conhecidas, menor o seu valor.
Logo, esse tipo de conhecimento tende a não ser distribuído
e utilizado em larga escala.
Por outro lado, alguns economistas começam a trabalhar experimentalmente,
e estão produzindo teorias de alcance mais restrito, o que
portanto os aproximaria do esquema de trabalho dos psicólogos,
que procuram examinar como suas teorias se aplicam a dados econômicos,
para então usá-los no sentido de aperfeiçoar
essas teorias.
A fim de dar uma idéia da abrangência desse estudo,
vou citar algumas informações contidas no programa
de mestrado (master in science) oferecido na Universidade de Exeter,
e considerado um dos únicos no mundo nessa área. Eles
colocam como objetivo 'produzir pesquisadores que possam fazer boas
perguntas, fornecer boas respostas teóricas, dominar várias
habilidades relacionadas a esse campo, e ser capaz de produzir,
de forma independente, pesquisa empírica de boa qualidade'.
Os cursos oferecidos vão de workshops em psicologia, a estatística
avançada, passando pelos fundamentos e fronteiras da psicologia
econômica e seus métodos de pesquisa, até um
período de estágio em pesquisa.
Pode ser interessante também, para ter noção
das possibilidades de abrangência e, talvez, perspectivas
de investigação em potencial, conhecer alguns dos
temas que são efetivamente investigados por diversos grupos
nessa universidade e em outros centros. Aqui vai uma lista: psicologia
da dívida; psicologia da poupança e do investimento;
psicologia do dinheiro, com alguns ramos que se dedicam especificamente
ao que ocorre no casamento, e segundas núpcias; 'distração'
com o dinheiro, no sentido de não prestar atenção
a ele; escambo; administração pessoal de finanças;
comportamento com relação a impostos; publicidade
e consumo infantil; economia da família; justiça social
e meritocracia; psicologia do turismo; qualidade total; psicologia
do euro; socialização econômica; uso e compreensão
da www pelas crianças; presentear e doar; psicologia da pobreza;
usos e gratificações relacionados ao comprar.
Como vemos, a lista é ampla, e parece convidar a muita pesquisa
e reflexão.
ECONOMIA COMPORTAMENTAL – percursos e fronteiras
Agora, vindo da outra direção, vamos examinar como
é que os economistas chegaram a se aproximar desse lado mais
humano da sua ciência.
Parece interessante acompanhar alguns pontos do percurso feito
por Richard Thaler, um economista originalmente da Universidade
de Rochester, que está atualmente na Universidade de Chicago.
Ele é descrito como uma figura controversa e irreverente,
que aos 55 anos ainda desperta a ira de colegas que abominam suas
idéias.
O que me chamou a atenção na sua maneira de funcionar,
foi como ele aparentemente teve seu interesse despertado pelos aspectos
do comportamento econômico a partir de observações
muito simples do cotidiano, coisas que pareciam óbvias, ou
sem importância, mas que no entanto, iam muitas vezes frontalmente
contra o que era postulado pela teoria econômica ortodoxa.
Vamos aos exemplos: meio como lenda, ele diz que tudo pode ter
começado, quando, ainda nos anos 70, ele recebia os colegas
professores em sua casa, e a certa altura, eles lhe pediram que
tirasse as castanhas que estavam 'beliscando', caso contrário,
seria difícil controlar a tentação de comê-las
sem parar. Do ponto de vista deles, estariam mais confortáveis
sem as castanhas por perto – o que contraria diretamente uma
teoria econômica de base, segundo a qual, as pessoas sempre
estarão em melhor situação quanto maior o seu
número de possibilidades de escolha, e não o contrário.
Ele não parou aí – também conta que
seu vizinho tinha o seguinte raciocínio com relação
a cortar a grama do seu jardim: preferia cortá-la ele próprio,
para economizar 10 dólares, mas jamais aceitaria cortar a
grama de outra pessoa pelos mesmos 10 dólares... Uma vez
que o valor seria o mesmo – sempre 10 dólares –
de acordo com a teoria econômica clássica, a sua escolha
também deveria ir sempre na mesma direção –
só que não era isso que se podia constatar. Outro
exemplo: Thaler já tinha comprado ingressos antecipadamente
para um jogo, mas no dia, uma tempestade o desencorajava, e ao seu
amigo, de sair de casa – no entanto, por já terem comprado
os ingressos, sentiram-se compelidos a ir, enquanto refletiam que,
caso não tivessem os ingressos, certamente não iriam.
Nova contradição à teoria, que afirma que o
dinheiro já gasto não deveria ter qualquer influência
sobre comportamentos posteriores, uma vez que já estava de
fato 'perdido'.
Essas situações apontam para uma conclusão
que parece óbvia – apesar da teoria econômica
afirmar que as pessoas sempre tomam decisões racionais, caso
contrário perdem dinheiro, o que faria com que aprendessem
rapidamente a proceder de forma diferente, sob o risco de não
conseguir sobreviver, não é nada disso que observamos.
De acordo com essa visão, dominante na economia desde os
anos 70, as pessoas sempre escolheriam as ações certas,
a carreira certa, o nível de poupança mais adequado
etc.
Thaler nem precisou ser psicanalista – pois, como psicanalistas,
vemos frequentemente o oposto dessa 'racionalidade sábia'
em nossos clientes, quando examinamos a maneira como conduzem sua
vida econômica, trabalho, carreira ou negócio –
mas ele nem precisou dessa experiência para chegar a uma conclusão
convergente: para ele, as pessoas se comportam como pessoas, sujeitas
a erros, irracionalidade e emoção, e suas atitudes
nem sempre são compatíveis com a direção
mais apropriada para ganhar dinheiro.
Ele também questionou como as pessoas de fato teriam oportunidade
de modificar atitudes através de um aprendizado desse tipo,
quase que por tentativa e erro, quando as grandes decisões
que têm que tomar a respeito de áreas fundamentais
de suas vidas, tais como casamento, carreira, plano de aposentadoria
etc, surgem tão escassamente, reduzindo as chances para que
essa aprendizagem ocorra.
Falando assim, pode talvez soar como surpreendente que ele tenha
enfrentado tanta oposição ferrenha por parte dos colegas,
ao advogar idéias que surgem como tão cristalinas
a outros de nós. Mas foi o que ocorreu, e em certa medida,
ainda ocorre – ele foi ignorado, ou ridicularizado, por outros
economistas, que não davam qualquer crédito às
suas teorias.
Em 76, ele entrou em contato com os trabalhos de dois psicólogos,
que também vinham se interessando por esse tema – Daniel
Kahneman e Amos Tversky, que não apenas o levaram a sério,
como também o encorajaram a prosseguir com seus estudos.
Esse primeiro reconhecimento parece ter ajudado Thaler a se levar
a sério também.
Seu primeiro artigo sobre 'anomalias', aquilo que fugia do escopo
da teoria tradicional, foi recusado por todas as grandes revistas
de economia. Mas afinal foi aceito por uma que estava começando,
sobre economia comportamental e organizacional, em 1980. Ele mesmo
conta que não tinha dados estatísticos, 'só
coisa que é verdade'. Naturalmente, os colegas o brindaram
com solene indiferença – repercussão zero. Exceto
por um outro psicólogo, Eric Wanner, que estava muito interessado
em iniciar um diálogo com um economista, e o chamou, passando
então a financiar o desenvolvimento da economia comportamental.
Thaler começou a organizar esse movimento, promovendo seminários
e workshops.
Hoje ele é bem sucedido, popular, e tem também uma
firma de investimentos, que segundo ele próprio, tem êxito
na suas aplicações no mercado. Ele mantem que o 'mainstream'
é útil para se começar a pensar, mas realmente
não dá conta de explicar tudo.
Depois dele, as coisas parecem estar começando a mudar.
É possível encontrar um outro marco na direção
de uma maior aceitação desse campo da economia comportamental,
na última década. Em 94, David Laibson, que agora
tem 34 anos, defendeu uma tese articulando dinheiro e força
de vontade, e apontando também para uma anomalia a partir
da análise do resultado de suas pesquisas. Ele foi imediatamente
contratado por Harvard. E em 97, Sendhil Mullainathan, que agora
tem 27 anos, correlacionou idéias da economia, da psicologia,
e da sua infância na Índia rural e pobre, para fazer
seu doutorado. Foi contratado pelo M.I.T., e considera esses dois
reconhecimentos, dele próprio e de Laibson, uma espécie
de ruptura, no sentido da economia comportamental passar então
a ser ouvida com mais interesse, e chegar mesmo a começar
a influenciar algumas áreas antes dominadas inteiramente
pela visão do 'mainstream'. A economia comportamental poderia
complementar a teoria ortodoxa e ajudar a criar políticas
para, por exemplo, controlar o comportamento irracional, ou mesmo
destrutivo, na economia.
Começa a aumentar também o número de economistas
interessados na área, passando dos casos raríssimos
até antes da última década, a uma frequência
um pouco maior. Um exemplo é Lawrence Summers, de Harvard,
que foi secretário do Tesouro de Clinton.
Do ponto de vista da organização do movimento, há
algumas associações com sede nos E.U.A. hoje em dia
que se dedicam a esse tema, entre as quais a SABE-Society for the
Advancement of Behavioural Economics, iniciada no meio dos anos
80, e que agora funciona em conjunto com a IAREP. A princípio,
foram economistas com formação religiosa, católicos
e outros, ou formação humanista de modo geral, que
desejavam ir além das idéias dominantes na economia
de 'maximização' de lucros, consumo etc, e portanto
se propuseram a aumentar os vértices possíveis de
estudo.
Os economistas da SABE, que apresentam diferentes inclinações,
se definem como 'acadêmicos que fazem análise econômica
rigorosa, e têm interesse em saber como outras disciplinas
– como a psicologia, antropologia, história, ciência
política, biologia e outras – podem aumentar o conhecimento
sobre o comportamento econômico', nas palavras de John Tomer,
seu presidente.
Inicialmente foram mais influenciados pela sociologia, mas a partir
dos anos 90, houve um interesse crescente pelas descobertas da psicologia,
em especial no campo cognitivo.
O avanço no sentido de uma maior aceitação
por parte do 'mainstream' pode ser detectado por eles também,
que pretendem ir além da teoria neoclássica.
BRASIL – desconhecimento e limitações estimulantes
Depois desse rápido panorama geral, que nos fornece um quadro
das condições atuais referentes ao estudo dessa disciplina
no mundo, vamos chegar a uma análise inicial da situação
no Brasil.
Pelo que temos podido aferir, é um campo ainda bastante
pouco divulgado por aqui, onde grande parte de pessoas comuns, e
mesmo acadêmicos, nunca ouviu falar antes nesse assunto. Até
o momento, consegui entrar em contato apenas com uma professora
da Universidade do Pará, Alice Moreira, que fez seus estudos
também na Inglaterra, sobre o significado do dinheiro, na
abordagem da psicologia social, com enfoque transcultural (comparou
belemenses, brasilienses e ingleses). Ao mesmo tempo, esse ângulo
de exame das questões econômicas vem sendo cada vez
mais utilizado pela mídia especializada.
Um exemplo recente é tudo que vem sendo dito, inclusive
aqui no Brasil, a respeito da economia americana neste início
de ano, quando, apesar dos índices apontarem para um desempenho
razoável, assistimos a uma espécie de desânimo
que toma conta das bolsas, isto é, fatores psicológicos
presentes e atuantes no cenário econômico, levando
a uma preocupação crescente, que por sua vez, pode
gerar novas quedas.
O estudo sistemático desses fatores, contudo, ainda está
por fazer, e no nosso país, talvez não possamos sequer
dizer que ele engatinha. Em outras palavras, quantas possibilidades
se abrem!
Nós tivemos vivências bastante intensas do ponto de
vista da turbulência econômica, desde o período
de inflação muito alta, os sucessivos planos de governo
para tentar estancá-la, que não apenas não
funcionaram, como também muitas vezes serviram para desestabilizar
a economia, e agora, pós-Plano Real, todas as outras repercussões
e novas exigências.
Parece que material não nos faltaria.
À medida em que vemos avançar o campo da psicologia
social, que vem sendo mais requisitada a atuar em diferentes setores,
tais como organizações não-governamentais,
estruturação de comunidades, empresas que buscam se
desenvolver, pesquisas de vários campos etc, talvez pudéssemos
incluir aí também esse campo que começa a surgir
no horizonte, e que pretenderia se dedicar de maneira mais específica
às questões relativas à economia e seus inúmeros
desdobramentos.
Embora esse tema já de há muito seja familiar aos
psicanalistas, que ouvem descrições detalhadas das
dificuldades enfrentadas nesse âmbito pelos pacientes, e como
muitas vezes se pode localizar raízes psíquicas para
suas manifestações, somente nos últimos tempos
é que outras disciplinas vêm se debruçando de
forma mais aprofundada sobre o tema também.
Podemos inserir aqui uma pequena 'provocação'? É
que os psicólogos parecem ser treinados também para
manter um tipo de 'abertura de cabeça', da qual, aliás,
depende fundamentalmente seu trabalho de escuta, observação
e investigação, e isso pode ter um peso determinante
para a 'inauguração' do estudo dessa interface que
reúne psicologia e economia.
Já os economistas – e é essa a provocação...
– até hoje se debatem e resistem a incluir esse fator
na pesquisa e discussão de seu campo, embora devamos reconhecer
que há aqueles economistas que já vêm se dedicando
a esse estudo. No seio da academia, no entanto, essa vertente ainda
recebe pouca atenção, relativamente ao 'mainstream',
a corrente dominante, que se preocupa quase exclusivamente com o
aspecto matemático e racional da economia.
PSICOLOGIA, ECONOMIA E PSICANÁLISE – aproximações
e perspectivas de trabalho
No Brasil, como estamos vendo, encontramos uma certa unanimidade
entre os economistas quanto à falta de espaço para
ampliar seu escopo de investigação, que mantem os
pressupostos de racionalidade.
Com todo esse espaço à nossa disposição,
por assim dizer, como poderíamos pensar em ocupá-lo?
Como psicanalista, é claro que esse é o caminho que
primeiro me ocorre, embora fique evidenciado que não se trata
do único.
Quando entro em contato com material sobre psicologia econômica,
sinto invariavelmente falta de um tipo de aprofundamento do exame
das questões propostas. Talvez aí se situe de fato
a diferença básica, e antiga, entre psicologia e psicanálise
– a primeira não leva em conta os aspectos ligados
ao inconsciente, sendo que em muitos casos, sequer se interessa
em investigar esse componente com minúcia. Assim, todas as
questões decorrentes da existência de diferentes planos
de realidade – uma interna, psíquica, e outra externa
- com funcionamentos particulares e profunda interatuação,
ganham ênfase na psicanálise, vindo a se constituir
mesmo um de seus principais pilares.
Podemos observar que, tanto no lado dos psicólogos econômicos,
como dos economistas comportamentais, há uma delimitação
que não inclui essas dimensões, e a vertente mais
favorecida por eles no momento é da psicologia cognitiva.
Vamos aos exemplos, em que poderemos cotejar diferentes visões.
Existe um livro que vem fazendo um certo sucesso editorial, chamado
'Exuberância Irracional', a respeito da euforia que tomou
conta das bolsas americanas na década de 90. Ele foi escrito
por um economista, Robert Shiller, e publicado no ano passado. É
sintomático observar que ele é casado com uma psicóloga
clínica, a quem credita ter começado a se interessar
pela psicologia, e ter assim se convencido de sua importância
para a economia.
Ele faz um estudo amplo da chamada 'bolha especulativa', levantando
fatores estruturais, históricos, culturais – e até
mesmo psicológicos. No capítulo dedicado a estes últimos,
ele 'chama' as seguintes variáveis para ajudá-lo a
pensar sobre essa perspectiva: a existência de 'âncoras
psicológicas', que poderiam ser 'quantitativas', como os
indicadores de que o mercado estaria sub ou sobrevalorizado, ou
seja, números cotejados com preços, ou 'morais', representando
a força intuitiva ou emocional que levaria a pessoa a comprar
ações ou não.
Com relação a esses aspectos, ele ressalta a presença
de um tipo de confiança excessiva, que ele acredita estar
presente em todas as pessoas, e um julgamento intuitivo, que poderiam
expor toda a fragilidade dessas âncoras, levando à
dificuldade de pensar mais à frente, e tomar decisões
face às incertezas do futuro. Dessa forma, ele deduz que
fatores tão triviais e pouco visíveis como estes,
poderiam efetivamente determinar os níveis do mercado.
Ele destaca também as características relativas ao
comportamento coletivo, utilizando por exemplo, modelos da epidemiologia
para apontar o poder da informação boca a boca se
disseminar, semelhantemente a uma epidemia, com suas curvas e tendências.
Ele menciona também a possibilidade de coexistência
de idéias conflitantes na mente, e como o funcionamento da
atenção pode levar a erros de julgamento importantes,
mesmo que eles não possam ser racionalmente explicados.
Como conclusão, ele afirma que a exuberância irracional
contribui para a formação e manutenção
da bolha especulativa, uma vez que as avaliações altas
do mercado não podiam surgir em função de um
pensamento público racional.
A intenção aqui não é de fornecer um
relato exaustivo do livro de Shiller, e estas poucas linhas estão
evidentemente longe de qualquer tentativa de abrangê-lo como
um todo. Servem apenas como ilustração da maneira
como um economista já considerado um tanto quanto fora do
'mainstream', e recebendo uma repercussão importante entre
colegas e mídia, na verdade parece introduzir um elenco limitado
de elementos que poderiam realmente ajudar a expandir esse campo
de reflexão com a ajuda dos fatores psicológicos.
Não pretendo tirar seu mérito, claro, e sim, chamar
a atenção para tudo aquilo que talvez pudéssemos
agregar em termos de análise e pesquisa.
Lendo o livro, não pude deixar de fazer algumas aproximações
com o meu próprio trabalho a respeito dos fatores psíquicos
que poderíamos encontrar associados à vivência
das mudanças e instabilidades econômicas aqui no Brasil,
que situei a partir de 1985.
Nesse trabalho, utilizei o conceito da ilusão como a variável
mais importante para proceder ao exame dessa experiência,
a partir do ângulo oferecido pela teoria dos dois princípios
do funcionamento mental postulada por Freud, e desenvolvida por
Klein e Bion. Da mesma forma, penso que poderíamos fazer
operar esse mesmo paradigma no fenômeno da bolha especulativa,
especialmente no que diz respeito à crença durante
tanto tempo alimentada e mantida, de que tal bolha poderia existir
para sempre. Do meu ponto de vista, é o mesmo funcionamento
que leva a acreditar igualmente na existência da cornucópia
mágica, que tanto pode ser o rodar de dinheiro incessante
e infinito característico do período inflacionário,
como os ganhos igualmente infinitos num mercado acionário
que só sobe, e não cairá nunca.
Em ambos os casos, parecemos ter operações psíquicas
equivalentes em ação, e aí estaríamos
adentrando um terreno de maior aprofundamento do funcionamento da
personalidade, que não se limita a descrições
fenomenológicas ou estatísticas. Num certo sentido,
poderíamos dizer que a natureza humana dá preferência,
pelo menos inicialmente, à ilusão. E até mesmo
acrescentar, que pode eventualmente – e isso é o mais
frequente – pagar um pedágio elevado por essa escolha.
Essa hipótese nos convidaria a observar de que forma os
E.U.A. estão reagindo às novas condições,
e se, por exemplo, poderemos detectar sinais equivalentes aos que
encontramos aqui logo após o início da vigência
do Plano Real, que também impôs uma série de
modificações na vida econômica, e consequentemente,
recebeu diversas representações na dimensão
da subjetividade.
De que maneira os pequenos empresários americanos estão
'sentindo' o final do período de euforia e crescimento que
pareceria não ter fim nunca? O que essa nova noção
implica em termos de decorrências para a administração
de seus negócios? Qual a sua visão hoje da situação
do país como um todo? Haverá pontos em comum com a
experiência brasileira?
Este é apenas um exemplo de por onde uma pesquisa dentro
da psicologia econômica poderia nos conduzir, aqui ressaltando
aspectos trans-culturais. E como estamos levantando as possibilidades
da psicanálise contribuir de formas específicas e
peculiares a estudos desse tipo, vamos pensar agora como, e para
quê, isso poderia ser feito.
Um primeiro fator, já mencionado brevemente, diz respeito
ao treinamento do psicanalista no campo da epistemologia. Quero
dizer com isso, que a bagagem do psicanalista, tanto no que se refere
à disciplina cotidiana de rigor, isenção e
continência na observação e exame do mundo mental,
quanto no fato de ter que enfrentar quase inevitavelmente críticas
e suspeitas – e até hoje isso existe – o que
o torna talvez mais capaz de um pensamento independente, dispensando
o aval onipresente de autoridades, e se sentindo razoavelmente à
vontade para se 'embrenhar' onde quer que sua investigação
o leve.
O conjunto dessas características parece favorecer de maneira
decisiva a atividade de pesquisa, em especial quando esta se dá
no campo psíquico, como é o caso da psicologia econômica.
Aliás, o fato de eu não haver ainda encontrado colegas
dentro da IAREP que se dediquem a esta abordagem parece também
significativo – é possível que ainda não
haja um espaço mais claro para a psicanálise dentro
dela, o que nos 'chama' a pelo menos discutir o tema.
O psicanalista não tem o hábito regular das estatísticas,
das fórmulas matemáticas, das diferentes metodologias
de pesquisa que costumam caracterizar os trabalhos científicos
e acadêmicos. Por outro lado, ele pode não apenas ingressar
nesse terreno, se assim se fizer necessário, mas de qualquer
modo, está pronto para oferecer suas habilidades no sentido
de 'fazer boas perguntas e fornecer boas respostas teóricas',
como espera o programa de mestrado que eu já citei, e também,
da capacidade de olhar a realidade por diferentes ângulos,
e ter sua atenção atraída por detalhes que
talvez escapassem a olhos não tão habituados a 'anomalias',
que é uma das matérias-primas do psicanalista.
Além disso, fica também a hipótese de que
possa haver muitas vezes essa espécie de 'pudor' que caracteriza
frequentemente a abordagem de questões relativas a dinheiro,
e que pode até mesmo se transformar em tabu, impedindo então
o acesso a elas de forma mais livre e ampla. É claro que
o psicanalista não se encontra num tipo de olimpo, acima
do bem e do mal, mas espera-se que ele, mesmo tendo dificuldades
também para lidar com essa área, terá pelo
menos alguma noção de que essa limitação
existe, e a levará em conta em seu trabalho. Afinal, seu
exercício diário se pauta pela tentativa de trazer
o maior número possível de elementos para o acolhimento
de sua consciência.
Mais um exemplo: Stephen Lea, o professor de Exeter que eu já
mencionei, deu uma palestra na Sociedade Britânica de Psicologia
no ano passado, com o título: 'Ganhando dinheiro a partir
da psicologia: podemos prever o comportamento econômico?'
( em inglês – 'Making money out of psychology: can we
predict economic behaviour?'). Essa palestra recebeu atenção
da mídia, e o artigo que se referiu a ela, tinha a seguinte
chamada – 'se você é tão inteligente,
por que você não é rico?' ('if you're so smart,
why aren't you rich?'), que seria uma pergunta proposta aos economistas.
A idéia é atraente, e é interessante acompanhar
como Lea desenvolve o tema, sempre com uma grande preocupação
de afastar essa possibilidade – ele brinca, por exemplo, que
usou aquele título para garantir que teria a atenção
ao menos inicial dos ouvintes, e termina com outra brincadeira,
dizendo que, se suas conclusões estiverem corretas, as pessoas
que o estiveram escutando podem de fato passar a se interessar por
psicologia econômica, e isso as levaria então a comprar
seus livros – e assim, pelo menos ele estaria sim conseguindo
ganhar dinheiro com psicologia. Só depois dessa brincadeira
é que ele levanta os três pontos finais a sério,
sobre as razões pelas quais os psicólogos não
deveriam deixar de levar em conta o comportamento econômico:
em primeiro lugar, porque o público em geral precisaria de
informações imparciais a esse respeito; em segundo
lugar, por ele se constituir numa grande parte da vida das pessoas;
e por fim porque seu estudo pode iluminar diversos pontos da teoria
psicológica.
Não podemos deixar de concordar com suas considerações,
todas elas de máxima importância, inclusive se pensarmos
nas dimensões mais amplas da vida do país, por exemplo.
Não pretendo discutir aqui se é possível prever
o comportamento econômico ou não, e portanto, ganhar
dinheiro com isso, até porque sabemos bem que não
somos capazes de prever qualquer coisa com precisão matemática
no campo das emoções humanas, que constituem a essência
de seu comportamento. O ponto que pretendo ressaltar é a
maneira como essa limitação é tratada pelo
psicólogo, e como poderia vir a sê-lo pelo psicanalista,
e afinal, como ambos poderiam se encontrar de forma complementar
e estimulante. O objetivo não é de fato, 'prever e
ganhar', interessando mais o aspecto da investigação,
da ampliação do campo, do desenvolvimento da capacidade
de pensar e aprender com a experiência.
Assim, ele se refere aqui à importância que o chamado
'princípio da reflexividade' pode ter no comportamento econômico
geral, inviabilizando por essa razão também qualquer
tentativa de previsão mais a longo prazo. Este princípio
guarda uma certa equivalência com o principio da incerteza
ou indeterminação postulado pelo físico quântico
Heisenberg, segundo o qual a própria observação
dos fenômenos já os modifica, isto é, a presença
mesma de um observador já deixaria o mundo de forma inevitavelmente
diversa de como estaria na sua ausência. Dessa forma, no momento
em que um economista prevê que os juros cairão, e portanto
faz suas aplicações levando essa variável em
conta, e outros observam e seguem seus movimentos, por essa razão
mesma é que os tais juros poderiam deixar de cair, uma vez
que o cenário já não seria o mesmo daquele
observado originalmente, e sobre o qual a previsão inicial
teria sido feita.
Lea dá o exemplo de uma pesquisa feita por psicólogos
alemães (Borges, Goldstein, Ortman e Gigerenger), que pediram
a pessoas que passavam pela rua, em Frankfurt, que dessem o nome
das 10 maiores empresas americanas, onde então aplicaram
algum dinheiro, e efetivamente tiveram um certo lucro. Pediram também
a experts em investimentos, que os aconselhassem a fazer aplicações
equivalentes, e segundo eles, como os experts detestam dizer o óbvio,
eles preferiram indicar empresas menores, mais obscuras, e que na
verdade não dariam tanto retorno quanto as primeiras. No
entanto – e aqui entra o princípio da reflexividade
– se todos persistissem com as mesmas tendências de
aplicações, cada um no seu rumo original, o panorama
mudaria também.
Dessa forma, uma conclusão possível, de acordo com
ele, é que ao estudarmos as dimensões sociais do mundo,
acabamos mudando-o também. É uma idéia instigante,
e poderia ter seus contornos expandidos na medida da riqueza e aprofundamento
de nossas conclusões a seu respeito. Daí a importância
desse casamento potencial.
O psicólogo econômico vem desenvolvendo diversos instrumentos
de pesquisa que o psicanalista está longe de dominar no momento,
mas teria que se aproximar deles para iniciar estudos mais sistemáticos
nesse campo. Do outro lado, o psicólogo poderia ser estimulado
pelas idéias desenvolvidas pelo psicanalista a respeito do
funcionamento mental, e portanto, avançar de forma significativa
seu estudo do comportamento humano, seja individual ou grupal.
CONSIDERAÇÕES FINAIS – a construção
da soma
No meu caminho, talvez eu tenha experimentado 'ao vivo' os dois
lados, o que vem a me deixar irremediavelmente na sua intersecção
– comecei a trabalhar o tema porque ele foi me interessando
cada vez mais a partir da minha experiência no consultório,
com clientes em análise. Fui desenvolvendo em paralelo tanto
uma atividade teórica, que era preparar a dissertação
sobre os fatores emocionais que podiam ser encontrados na vivência
da inflação, e depois, da estabilização
da moeda, com destaque para a ilusão, como também
num trabalho prático de consultoria que segue essas mesmas
bases – chamar a atenção para o componente psíquico,
emocional, presente na administração do trabalho,
negócio, carreira ou desemprego, e dinheiro, e pensar o que
é possível fazer para desenvolvê-lo. Foi praticamente
apenas depois de terminar a dissertação, e já
com alguns anos de experiência na consultoria, que me dei
conta de que tudo isso se situava no campo da psicologia econômica.
Logo no início, em 95, eu havia entrado em contato com um
professor na Nova Zelândia, Simon Kemp, que me deu algumas
das primeiras coordenadas sobre o assunto, bem como com o livro
de Lewis, Webley e Furnham, 'The new economic mind', indicado pelo
professor Sigmar Malvezzi, na pós. Mas foi preciso que alguns
anos se passassem para que essa idéia – e sentimento
– de pertinência pudessem sair da incubação
e entrar então numa fase de realização mais
ativa.
Uma das questões que levanto para terminar, é de
que maneira poderíamos tentar transpor os paradigmas, os
modelos epistemológicos que ajudam a psicanálise a
pensar sobre o funcionamento da personalidade, para o campo da psicologia
econômica, de forma a que todos 'lucrem' - para usar uma palavra
bem a propósito!
Com relação às perspectivas do Brasil, acredito
que possamos dedicar atenção a caminhos já
abertos pelos pesquisadores em outros países, e refletir
sobre a possível utilidade de pesquisar linhas semelhantes
aqui também, tais como a grande preocupação
com a poupança, que está presente no trabalho de diversos
economistas experimentais. Sem um movimento geral de poupança
nacional, qualquer país fica muito mais à mercê
de ataques especulativos e movimentos de turbulência interna
e externa – mas como e por quê uma população
decide guardar ou não dinheiro? Essa decisão está
sujeita a que tipos de fatores? Qual o grau de consciência
que a população tem sobre a importância dessa
decisão, e a que anseios ela responde? Estas são algumas
perguntas que poderiam ser feitas aqui, e se Stephen Lea estiver
certo, debruçar-se sobre elas já poderia representar
um início de transformação.
Também o estudo de situações em que teríamos
a chamada 'exuberância irracional' em ação,
seja com relação ao mercado acionário, à
inflação, ou qualquer outro evento da experiência
econômica coletiva, pode se mostrar de grande utilidade, lembrando
que é fundamental que o público em geral possa ter
acesso a informações isentas, a fim de melhor decidir
suas opções de administração da sua
vida econômica. Ou ainda, as possibilidades de mudança
no sistema tributário, que se pautariam não apenas
pelos fatores puramente fiscais, mas por outros, de natureza cultural
ou psicológica, como propunha o economista Robert Frank,
na eventualidade de uma vitória de Al Gore.
Naturalmente, seria desejável também, que temas específicos
do Brasil pudessem ser igualmente selecionados para receber essa
atenção e estudo, uma vez que temos um campo tão
vasto para investigar e uma necessidade tão grande de ampliar
o numero de alternativas para chegarmos a um desenvolvimento mais
satisfatório. Numa outra etapa podemos pensar também
em estudos transculturais, onde a comparação com a
situação de outros países pode nos permitir
tecer uma espécie de 'crivo' por onde passar dados e metodologias,
com vistas a aperfeiçoar uma epistemologia característica
desse campo.
Acho importante lembrar que a psicologia econômica teve início
modestamente, com estudiosos começando a trocar idéias
sobre suas descobertas, e vem crescendo desde então de maneira
cada vez mais vigorosa. Aliás, esse ritmo de início
e crescimento tampouco é estranho aos psicanalistas –
no começo era Freud, e durante muitos anos, era Freud e aquela
meia dúzia que ficou eternizada na foto tão popular
que retrata o 'grupo das quintas-feiras'.
O que poderá acontecer então, se quem tiver interesse
nessa área, começar a dar os primeiros passos, em
conjunto? – psicólogos, psicanalistas, economistas,
e quem mais vier...
Vera Rita de Mello Ferreira – psicanalista e consultora na
área de desenvolvimento profissional; autora do livro "O
Componente Emocional"; mestra em Psicologia Social do Trabalho
(IP-USP); membro da IAREP-The International Association for the
Research in Economic Psychology; ex-professora de Psicologia na
UnG; website: www.verarita.psc.br; email: verarita@verarita.psc.br
RESUMO: A apresentação tem o objetivo de traçar
o percurso que caracteriza o nascimento da psicologia econômica
e da economia comportamental como disciplinas específicas,
suas linhas de pesquisa, possibilidades de atuação
e alguns autores de destaque; chama a atenção para
a presença ainda menos que incipiente no Brasil, e propõe
alternativas para ampliar esse campo aqui, em combinação
com a psicanálise.
PALAVRAS-CHAVE: anomalia; dinheiro; economia; emoção;
funcionamento mental; ilusão; inflação; irracionalidade;
psicanálise; psicologia econômica.
REFERÊNCIAS
BION, W. - (1961) “Uma Teoria do Pensar”, ”,
in “Melanie Klein Hoje –
desenvolvimentos da teoria e da técnica”, vol. 1,
Imago, Rio de Janeiro, 1991.idem.
_________ (1979) “Making the Best of a Bad Job”, in
“Clinical Seminars
and Four Papers”, Fleetwood Press, Abingdon, 1987.
[“Como tornar proveitoso um mau negócio” in
Revista
Brasileira de Psicanálise, vol.XIII, no.4, 1979, trad.
O.D.Knijnik).
_________ “Cogitations”, Karnac Books, 1992.
[“Cogitaciones”, Promolibros, Valencia, 1996, trad.
R.P.Pérez ]
EVA,A.C., VILARDO,R. & KUBO,Y. - “Realidade Psíquica,
Realidade Interna,
Realidade Subjetiva” in “Fórum de
Psicanálise”, Sociedade Brasileira de Psicanálise
de São Paulo, coord. M.O.A.França e
S.M.Gonçalves, Editora 34, Rio de Janeiro,
1995.
FERREIRA, V.R.M. – "O Componente emocional – funcionamento
mental e
ilusão à luz das transformações econômicas
no Brasil desde
1985'', Editora Papel e Virtual, Rio de Janeiro, 2000.
FREUD, S. - (1911) “Formulações sobre os Dois
Princípios do
Funcionamento Mental”, vol.12 da Edição Standard
Brasileira das
Obras Completas, Imago, Rio de Janeiro, 1977.
________ (1921) “Psicologia de Grupo e a Análise do
Ego”, vol.18, idem.
________ (1927) “O Futuro de uma Ilusão”, vol.21,
idem.
________ (1930) “O Mal-estar na Civilização”,
vol.21, idem.
KLEIN, M. - (1946) “Notas sobre alguns Mecanismos Esquizóides”,
in
“Os Progressos da Psicanálise”, Zahar, Rio
de Janeiro, 1982.
________ (1952) “Algumas Conclusões Teóricas
sobre a Vida Emocional do Bebê”,
idem.
________ (1963) “Nosso Mundo Adulto e suas Raízes
na Infância”, in ''O Sentimento
de Solidão”, Imago, Rio de Janeiro, 1985.
LEA, S.E.G. – ''Making money out of psychology: Can we predict
economic behaviour?'', palestra proferida para a British
Psychological Society, na Annual Conference, Winchester, 15
de abril de 2000.
LEWIS,A., WEBLEY,P. & FURNHAM,A. - “The New Economic
Mind - the social
psychology of economic behaviour”,
Harvester/Wheatsheaf, London, 1994.
REZZE, C. - “Um Paradoxo Vital: Ódio e Respeito à
Realidade Psíquica”,
in“Perturbador Mundo Novo”, Escuta, São Paulo,
1994.
SHILLER, R. – ''Exuberância irracional'', Makron Books,
São Paulo, 2000.
WEBSITES
- apresentação sobre IAREP – www.exeter.ac.uk/~SEGLea/iarep/info.html
- apresentação sobre SABE – www.usask.ca/economics/SABE
- apresentação sobre linhas de pesquisa em Exeter
– www.ex.ac.uk/~SEGLea/ecopsygp/
- apresentação sobre o programa de mestrado em psicologia
econômica na
Universidade de Exeter – www.ex.ac.uk/~nejones/pg/econ.htm
- apresentação de seminários da EIASM –
www.eiasm.be
- edição de 11.02.01 do jornal ''The New York Times'',
com os artigos
''Exuberance is rational'', por Roger Lowenstein, sobre Richard
Thaler, e
''Some economists call behavior a key'', por Louis Uchitelle,
sobre David
Laibson e Sendhil Mullainathan – www.nytimes.com
ENTREVISTA
- gravação de entrevista concedida a Lucas Mendes
pelo economista Robert Frank, professor da Universidade de Cornell
no canal Globo News, em 03.10.2000.
AGRADECIMENTOS
- Agradeço também aos seguintes professores as informações
fornecidas,
pessoalmente ou pela internet, a respeito de psicologia econômica
e economia
comportamental:
- Paul Webley – professor da Universidade de Exeter e presidente
da IAREP;
- Stephen Lea – professor da Universidade de Exeter e membro
da IAREP;
- Hugh Schwartz – foi professor visitante na Universidade
do Paraná e membro da
SABE;
- John Tomer – professor do Manhattan College e presidente
da SABE;
- Simon Kemp – professor da Universidade de Canterbury e
membro da IAREP;
- Alice Moreira – professora da Universidade do Pará
e membro da IAREP;
- Dante Aldrighi – professor da FEA-USP;
- Thomaz Jensen – economista graduado pela FEA-USP.
< voltar
|
|