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A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA ECONÔMICA

Trajetória e perspectivas de trabalho

Vera Rita de Mello Ferreira

INTRODUÇÃO

Convido vocês a iniciar uma espécie de viagem, para percorrer um roteiro que não é propriamente turístico, mas talvez apresente semelhanças a entrar em alguns novos territórios, e ao mesmo tempo poder reencontrar velhos conhecidos. Tentarei ser um pouco a guia de viagem, e estou também muitointeressada em escutar as repercussões que possam surgir em cada um dos participantes.

O objetivo da viagem é conhecermos um pouco da história da psicologia econômica, uma disciplina que apenas nos últimos anos vem se desenvolvendo de forma mais sistemática, não tendo ainda chegado propriamente ao Brasil com esse formato, e sua interrelação com o outro lado da moeda, sua 'ciência gêmea', por assim dizer, que é a economia comportamental. Daremos exemplos, através da trajetória de alguns estudiosos, de como essa área sempre enfrentou inúmeras dificuldades para se estabelecer como uma disciplina que deve ser respeitada. E como tal, considerada para contribuir para o exame das questões relativas à economia, onde as principais teorias vigentes nas últimas décadas não vêm dando conta de apreender os fenômenos que podemos observar.

Por fim, discutiremos as maneiras como a psicologia econômica poderia começar a se instalar no país, a partir de alguns vértices que estaremos selecionando, onde se destaca a psicanálise.

PSICOLOGIA ECONÔMICA – história e campos de pesquisa

A partir de 1976, passaram a acontecer colóquios, encontros de estudiosos que se interessavam pela interface entre a psicologia e a economia, na cidade de Tilburg, na Holanda. A princípio informais, foram ganhando regularidade e organização, até que em 82 fundou-se uma associação – IAREP – The International Association for the Research of Economic Psychology, composta por psicólogos, economistas experimentais, administradores de empresas, especialistas em marketing e comportamento do consumidor. É significativo observar como durante muitos anos, a IAREP funcionou parcialmente em conjunto com o European Institute for Advanced Studies in Management-EIASM, que organiza cursos e seminários na área organizacional, ou seja, com uma proximidade a uma vertente potencial de aplicação e utilização por empresas e instituições.

Hoje a psicologia econômica está bem estabelecida na Europa, com centros em cidades da Inglaterra, Holanda, Áustria, França e Suécia, entres outros. Esse campo é considerado por alguns como um ramo da psicologia social, e pode também receber outros nomes, como: economia comportamental; psicologia do consumidor; sócio-economia; psicologia das tomadas de decisão; psicologia organizacional ou ocupacional.

Seu objetivo é o estudo interdisciplinar do comportamento econômico – investigar como a economia influencia a vida das pessoas, seus sentimentos, pensamentos e comportamentos, e como esses elementos, por sua vez, podem influenciar a economia, havendo numerosos problemas práticos e acadêmicos para os quais ela poderia contribuir. Uma grande importância é dada à pesquisa empírica, embora haja também interesse por teoria psicológica e econômica, para se proceder às investigações.

Uma pesquisa recente entre os membros da IAREP destacou as seguintes áreas de interesse como as principais neste momento: comportamento do consumidor; comportamento econômico de crianças e socialização econômica; e-commerce; publicidade; comportamento organizacional; psicologia trans-cultural; tomada de decisão; psicologia do trabalho; meio-ambiente; administração financeira; identidade social e nacional; economia experimental; impostos e taxação; representações sociais.

Em seus primórdios, encontramos uma figura de proa que se estabeleceu como uma espécie de marco inicial - George Katona, um psicólogo húngaro-americano que escreveu o livro "Economia Psicológica", em 1975, seguido depois, nessa incursão pioneira, pelo psicólogo Amos Tversky e pelo economista Richard Thaler, de quem falaremos adiante com mais detalhe.

Atualmente, alguns autores, como Stephen Lea, professor em Exeter, que é um dos centros ingleses da psicologia econômica, vê alguns pontos de semelhança entre a economia e a psicologia, como a sua origem, por exemplo, que seria, ao menos no que diz respeito ao mundo anglo-saxônico, a escola britânica de filosofia empiricista. Lea aponta o fato de que tanto Adam Smith como William James, considerados respectivamente os pais da economia e da psicologia, começaram suas carreiras intelectuais como filósofos dessa escola de pensamento.

Essa origem comum, no entanto, não impede que hoje em dia, utilizem abordagens diferentes e cheguem também a conclusões diversas. Lea oferece algumas observações para justificar essa divergência – enquanto a economia trabalha fundamentalmente com uma grande teoria geral – a chamada teoria neoclássica, que postula um comportamento sempre racional, e auto-regulatório, isto é, sempre visando o próprio bem-estar e os ganhos por parte dos indivíduos, o que constitui então o 'mainstream', a corrente principal que norteia os estudos econômicos - a psicologia moderna, na sua opinião, trabalha mais com dados, tendo descartado as grandes teorias potencialmente unificadoras – e ele inclui aqui a psicanálise, como exemplo de teoria abandonada. Mas discutiremos esse ponto com mais vagar à frente.

Ainda de acordo com o autor, existe também uma dificuldade quanto ao interesse de muitos psicólogos acadêmicos, que se ressentiriam de uma aplicação da psicologia, especialmente no campo comercial. Assim, preferem ficar com teoria, ou com dados obtidos apenas em laboratório, desprezando as informações que se poderia obter na observação da prática. Ao mesmo tempo, esbarra-se em outro tipo de problema com relação à psicologia aplicada, como se pode encontrar na área ligada a consumo, comportamento do consumidor etc – as informações sobre como 'ganhar dinheiro', por assim dizer, têm valor comercial, e isso se traduz pelo fato de que, quanto mais conhecidas, menor o seu valor. Logo, esse tipo de conhecimento tende a não ser distribuído e utilizado em larga escala.

Por outro lado, alguns economistas começam a trabalhar experimentalmente, e estão produzindo teorias de alcance mais restrito, o que portanto os aproximaria do esquema de trabalho dos psicólogos, que procuram examinar como suas teorias se aplicam a dados econômicos, para então usá-los no sentido de aperfeiçoar essas teorias.

A fim de dar uma idéia da abrangência desse estudo, vou citar algumas informações contidas no programa de mestrado (master in science) oferecido na Universidade de Exeter, e considerado um dos únicos no mundo nessa área. Eles colocam como objetivo 'produzir pesquisadores que possam fazer boas perguntas, fornecer boas respostas teóricas, dominar várias habilidades relacionadas a esse campo, e ser capaz de produzir, de forma independente, pesquisa empírica de boa qualidade'. Os cursos oferecidos vão de workshops em psicologia, a estatística avançada, passando pelos fundamentos e fronteiras da psicologia econômica e seus métodos de pesquisa, até um período de estágio em pesquisa.

Pode ser interessante também, para ter noção das possibilidades de abrangência e, talvez, perspectivas de investigação em potencial, conhecer alguns dos temas que são efetivamente investigados por diversos grupos nessa universidade e em outros centros. Aqui vai uma lista: psicologia da dívida; psicologia da poupança e do investimento; psicologia do dinheiro, com alguns ramos que se dedicam especificamente ao que ocorre no casamento, e segundas núpcias; 'distração' com o dinheiro, no sentido de não prestar atenção a ele; escambo; administração pessoal de finanças; comportamento com relação a impostos; publicidade e consumo infantil; economia da família; justiça social e meritocracia; psicologia do turismo; qualidade total; psicologia do euro; socialização econômica; uso e compreensão da www pelas crianças; presentear e doar; psicologia da pobreza; usos e gratificações relacionados ao comprar.

Como vemos, a lista é ampla, e parece convidar a muita pesquisa e reflexão.

ECONOMIA COMPORTAMENTAL – percursos e fronteiras

Agora, vindo da outra direção, vamos examinar como é que os economistas chegaram a se aproximar desse lado mais humano da sua ciência.

Parece interessante acompanhar alguns pontos do percurso feito por Richard Thaler, um economista originalmente da Universidade de Rochester, que está atualmente na Universidade de Chicago. Ele é descrito como uma figura controversa e irreverente, que aos 55 anos ainda desperta a ira de colegas que abominam suas idéias.

O que me chamou a atenção na sua maneira de funcionar, foi como ele aparentemente teve seu interesse despertado pelos aspectos do comportamento econômico a partir de observações muito simples do cotidiano, coisas que pareciam óbvias, ou sem importância, mas que no entanto, iam muitas vezes frontalmente contra o que era postulado pela teoria econômica ortodoxa.

Vamos aos exemplos: meio como lenda, ele diz que tudo pode ter começado, quando, ainda nos anos 70, ele recebia os colegas professores em sua casa, e a certa altura, eles lhe pediram que tirasse as castanhas que estavam 'beliscando', caso contrário, seria difícil controlar a tentação de comê-las sem parar. Do ponto de vista deles, estariam mais confortáveis sem as castanhas por perto – o que contraria diretamente uma teoria econômica de base, segundo a qual, as pessoas sempre estarão em melhor situação quanto maior o seu número de possibilidades de escolha, e não o contrário.

Ele não parou aí – também conta que seu vizinho tinha o seguinte raciocínio com relação a cortar a grama do seu jardim: preferia cortá-la ele próprio, para economizar 10 dólares, mas jamais aceitaria cortar a grama de outra pessoa pelos mesmos 10 dólares... Uma vez que o valor seria o mesmo – sempre 10 dólares – de acordo com a teoria econômica clássica, a sua escolha também deveria ir sempre na mesma direção – só que não era isso que se podia constatar. Outro exemplo: Thaler já tinha comprado ingressos antecipadamente para um jogo, mas no dia, uma tempestade o desencorajava, e ao seu amigo, de sair de casa – no entanto, por já terem comprado os ingressos, sentiram-se compelidos a ir, enquanto refletiam que, caso não tivessem os ingressos, certamente não iriam. Nova contradição à teoria, que afirma que o dinheiro já gasto não deveria ter qualquer influência sobre comportamentos posteriores, uma vez que já estava de fato 'perdido'.

Essas situações apontam para uma conclusão que parece óbvia – apesar da teoria econômica afirmar que as pessoas sempre tomam decisões racionais, caso contrário perdem dinheiro, o que faria com que aprendessem rapidamente a proceder de forma diferente, sob o risco de não conseguir sobreviver, não é nada disso que observamos. De acordo com essa visão, dominante na economia desde os anos 70, as pessoas sempre escolheriam as ações certas, a carreira certa, o nível de poupança mais adequado etc.

Thaler nem precisou ser psicanalista – pois, como psicanalistas, vemos frequentemente o oposto dessa 'racionalidade sábia' em nossos clientes, quando examinamos a maneira como conduzem sua vida econômica, trabalho, carreira ou negócio – mas ele nem precisou dessa experiência para chegar a uma conclusão convergente: para ele, as pessoas se comportam como pessoas, sujeitas a erros, irracionalidade e emoção, e suas atitudes nem sempre são compatíveis com a direção mais apropriada para ganhar dinheiro.

Ele também questionou como as pessoas de fato teriam oportunidade de modificar atitudes através de um aprendizado desse tipo, quase que por tentativa e erro, quando as grandes decisões que têm que tomar a respeito de áreas fundamentais de suas vidas, tais como casamento, carreira, plano de aposentadoria etc, surgem tão escassamente, reduzindo as chances para que essa aprendizagem ocorra.

Falando assim, pode talvez soar como surpreendente que ele tenha enfrentado tanta oposição ferrenha por parte dos colegas, ao advogar idéias que surgem como tão cristalinas a outros de nós. Mas foi o que ocorreu, e em certa medida, ainda ocorre – ele foi ignorado, ou ridicularizado, por outros economistas, que não davam qualquer crédito às suas teorias.

Em 76, ele entrou em contato com os trabalhos de dois psicólogos, que também vinham se interessando por esse tema – Daniel Kahneman e Amos Tversky, que não apenas o levaram a sério, como também o encorajaram a prosseguir com seus estudos. Esse primeiro reconhecimento parece ter ajudado Thaler a se levar a sério também.

Seu primeiro artigo sobre 'anomalias', aquilo que fugia do escopo da teoria tradicional, foi recusado por todas as grandes revistas de economia. Mas afinal foi aceito por uma que estava começando, sobre economia comportamental e organizacional, em 1980. Ele mesmo conta que não tinha dados estatísticos, 'só coisa que é verdade'. Naturalmente, os colegas o brindaram com solene indiferença – repercussão zero. Exceto por um outro psicólogo, Eric Wanner, que estava muito interessado em iniciar um diálogo com um economista, e o chamou, passando então a financiar o desenvolvimento da economia comportamental. Thaler começou a organizar esse movimento, promovendo seminários e workshops.

Hoje ele é bem sucedido, popular, e tem também uma firma de investimentos, que segundo ele próprio, tem êxito na suas aplicações no mercado. Ele mantem que o 'mainstream' é útil para se começar a pensar, mas realmente não dá conta de explicar tudo.

Depois dele, as coisas parecem estar começando a mudar. É possível encontrar um outro marco na direção de uma maior aceitação desse campo da economia comportamental, na última década. Em 94, David Laibson, que agora tem 34 anos, defendeu uma tese articulando dinheiro e força de vontade, e apontando também para uma anomalia a partir da análise do resultado de suas pesquisas. Ele foi imediatamente contratado por Harvard. E em 97, Sendhil Mullainathan, que agora tem 27 anos, correlacionou idéias da economia, da psicologia, e da sua infância na Índia rural e pobre, para fazer seu doutorado. Foi contratado pelo M.I.T., e considera esses dois reconhecimentos, dele próprio e de Laibson, uma espécie de ruptura, no sentido da economia comportamental passar então a ser ouvida com mais interesse, e chegar mesmo a começar a influenciar algumas áreas antes dominadas inteiramente pela visão do 'mainstream'. A economia comportamental poderia complementar a teoria ortodoxa e ajudar a criar políticas para, por exemplo, controlar o comportamento irracional, ou mesmo destrutivo, na economia.

Começa a aumentar também o número de economistas interessados na área, passando dos casos raríssimos até antes da última década, a uma frequência um pouco maior. Um exemplo é Lawrence Summers, de Harvard, que foi secretário do Tesouro de Clinton.

Do ponto de vista da organização do movimento, há algumas associações com sede nos E.U.A. hoje em dia que se dedicam a esse tema, entre as quais a SABE-Society for the Advancement of Behavioural Economics, iniciada no meio dos anos 80, e que agora funciona em conjunto com a IAREP. A princípio, foram economistas com formação religiosa, católicos e outros, ou formação humanista de modo geral, que desejavam ir além das idéias dominantes na economia de 'maximização' de lucros, consumo etc, e portanto se propuseram a aumentar os vértices possíveis de estudo.

Os economistas da SABE, que apresentam diferentes inclinações, se definem como 'acadêmicos que fazem análise econômica rigorosa, e têm interesse em saber como outras disciplinas – como a psicologia, antropologia, história, ciência política, biologia e outras – podem aumentar o conhecimento sobre o comportamento econômico', nas palavras de John Tomer, seu presidente.

Inicialmente foram mais influenciados pela sociologia, mas a partir dos anos 90, houve um interesse crescente pelas descobertas da psicologia, em especial no campo cognitivo.

O avanço no sentido de uma maior aceitação por parte do 'mainstream' pode ser detectado por eles também, que pretendem ir além da teoria neoclássica.

BRASIL – desconhecimento e limitações estimulantes

Depois desse rápido panorama geral, que nos fornece um quadro das condições atuais referentes ao estudo dessa disciplina no mundo, vamos chegar a uma análise inicial da situação no Brasil.

Pelo que temos podido aferir, é um campo ainda bastante pouco divulgado por aqui, onde grande parte de pessoas comuns, e mesmo acadêmicos, nunca ouviu falar antes nesse assunto. Até o momento, consegui entrar em contato apenas com uma professora da Universidade do Pará, Alice Moreira, que fez seus estudos também na Inglaterra, sobre o significado do dinheiro, na abordagem da psicologia social, com enfoque transcultural (comparou belemenses, brasilienses e ingleses). Ao mesmo tempo, esse ângulo de exame das questões econômicas vem sendo cada vez mais utilizado pela mídia especializada.

Um exemplo recente é tudo que vem sendo dito, inclusive aqui no Brasil, a respeito da economia americana neste início de ano, quando, apesar dos índices apontarem para um desempenho razoável, assistimos a uma espécie de desânimo que toma conta das bolsas, isto é, fatores psicológicos presentes e atuantes no cenário econômico, levando a uma preocupação crescente, que por sua vez, pode gerar novas quedas.

O estudo sistemático desses fatores, contudo, ainda está por fazer, e no nosso país, talvez não possamos sequer dizer que ele engatinha. Em outras palavras, quantas possibilidades se abrem!

Nós tivemos vivências bastante intensas do ponto de vista da turbulência econômica, desde o período de inflação muito alta, os sucessivos planos de governo para tentar estancá-la, que não apenas não funcionaram, como também muitas vezes serviram para desestabilizar a economia, e agora, pós-Plano Real, todas as outras repercussões e novas exigências.

Parece que material não nos faltaria.

À medida em que vemos avançar o campo da psicologia social, que vem sendo mais requisitada a atuar em diferentes setores, tais como organizações não-governamentais, estruturação de comunidades, empresas que buscam se desenvolver, pesquisas de vários campos etc, talvez pudéssemos incluir aí também esse campo que começa a surgir no horizonte, e que pretenderia se dedicar de maneira mais específica às questões relativas à economia e seus inúmeros desdobramentos.

Embora esse tema já de há muito seja familiar aos psicanalistas, que ouvem descrições detalhadas das dificuldades enfrentadas nesse âmbito pelos pacientes, e como muitas vezes se pode localizar raízes psíquicas para suas manifestações, somente nos últimos tempos é que outras disciplinas vêm se debruçando de forma mais aprofundada sobre o tema também.

Podemos inserir aqui uma pequena 'provocação'? É que os psicólogos parecem ser treinados também para manter um tipo de 'abertura de cabeça', da qual, aliás, depende fundamentalmente seu trabalho de escuta, observação e investigação, e isso pode ter um peso determinante para a 'inauguração' do estudo dessa interface que reúne psicologia e economia.

Já os economistas – e é essa a provocação... – até hoje se debatem e resistem a incluir esse fator na pesquisa e discussão de seu campo, embora devamos reconhecer que há aqueles economistas que já vêm se dedicando a esse estudo. No seio da academia, no entanto, essa vertente ainda recebe pouca atenção, relativamente ao 'mainstream', a corrente dominante, que se preocupa quase exclusivamente com o aspecto matemático e racional da economia.

PSICOLOGIA, ECONOMIA E PSICANÁLISE – aproximações e perspectivas de trabalho

No Brasil, como estamos vendo, encontramos uma certa unanimidade entre os economistas quanto à falta de espaço para ampliar seu escopo de investigação, que mantem os pressupostos de racionalidade.

Com todo esse espaço à nossa disposição, por assim dizer, como poderíamos pensar em ocupá-lo?

Como psicanalista, é claro que esse é o caminho que primeiro me ocorre, embora fique evidenciado que não se trata do único.

Quando entro em contato com material sobre psicologia econômica, sinto invariavelmente falta de um tipo de aprofundamento do exame das questões propostas. Talvez aí se situe de fato a diferença básica, e antiga, entre psicologia e psicanálise – a primeira não leva em conta os aspectos ligados ao inconsciente, sendo que em muitos casos, sequer se interessa em investigar esse componente com minúcia. Assim, todas as questões decorrentes da existência de diferentes planos de realidade – uma interna, psíquica, e outra externa - com funcionamentos particulares e profunda interatuação, ganham ênfase na psicanálise, vindo a se constituir mesmo um de seus principais pilares.

Podemos observar que, tanto no lado dos psicólogos econômicos, como dos economistas comportamentais, há uma delimitação que não inclui essas dimensões, e a vertente mais favorecida por eles no momento é da psicologia cognitiva.

Vamos aos exemplos, em que poderemos cotejar diferentes visões. Existe um livro que vem fazendo um certo sucesso editorial, chamado 'Exuberância Irracional', a respeito da euforia que tomou conta das bolsas americanas na década de 90. Ele foi escrito por um economista, Robert Shiller, e publicado no ano passado. É sintomático observar que ele é casado com uma psicóloga clínica, a quem credita ter começado a se interessar pela psicologia, e ter assim se convencido de sua importância para a economia.

Ele faz um estudo amplo da chamada 'bolha especulativa', levantando fatores estruturais, históricos, culturais – e até mesmo psicológicos. No capítulo dedicado a estes últimos, ele 'chama' as seguintes variáveis para ajudá-lo a pensar sobre essa perspectiva: a existência de 'âncoras psicológicas', que poderiam ser 'quantitativas', como os indicadores de que o mercado estaria sub ou sobrevalorizado, ou seja, números cotejados com preços, ou 'morais', representando a força intuitiva ou emocional que levaria a pessoa a comprar ações ou não.

Com relação a esses aspectos, ele ressalta a presença de um tipo de confiança excessiva, que ele acredita estar presente em todas as pessoas, e um julgamento intuitivo, que poderiam expor toda a fragilidade dessas âncoras, levando à dificuldade de pensar mais à frente, e tomar decisões face às incertezas do futuro. Dessa forma, ele deduz que fatores tão triviais e pouco visíveis como estes, poderiam efetivamente determinar os níveis do mercado.

Ele destaca também as características relativas ao comportamento coletivo, utilizando por exemplo, modelos da epidemiologia para apontar o poder da informação boca a boca se disseminar, semelhantemente a uma epidemia, com suas curvas e tendências. Ele menciona também a possibilidade de coexistência de idéias conflitantes na mente, e como o funcionamento da atenção pode levar a erros de julgamento importantes, mesmo que eles não possam ser racionalmente explicados.

Como conclusão, ele afirma que a exuberância irracional contribui para a formação e manutenção da bolha especulativa, uma vez que as avaliações altas do mercado não podiam surgir em função de um pensamento público racional.

A intenção aqui não é de fornecer um relato exaustivo do livro de Shiller, e estas poucas linhas estão evidentemente longe de qualquer tentativa de abrangê-lo como um todo. Servem apenas como ilustração da maneira como um economista já considerado um tanto quanto fora do 'mainstream', e recebendo uma repercussão importante entre colegas e mídia, na verdade parece introduzir um elenco limitado de elementos que poderiam realmente ajudar a expandir esse campo de reflexão com a ajuda dos fatores psicológicos.

Não pretendo tirar seu mérito, claro, e sim, chamar a atenção para tudo aquilo que talvez pudéssemos agregar em termos de análise e pesquisa.

Lendo o livro, não pude deixar de fazer algumas aproximações com o meu próprio trabalho a respeito dos fatores psíquicos que poderíamos encontrar associados à vivência das mudanças e instabilidades econômicas aqui no Brasil, que situei a partir de 1985.

Nesse trabalho, utilizei o conceito da ilusão como a variável mais importante para proceder ao exame dessa experiência, a partir do ângulo oferecido pela teoria dos dois princípios do funcionamento mental postulada por Freud, e desenvolvida por Klein e Bion. Da mesma forma, penso que poderíamos fazer operar esse mesmo paradigma no fenômeno da bolha especulativa, especialmente no que diz respeito à crença durante tanto tempo alimentada e mantida, de que tal bolha poderia existir para sempre. Do meu ponto de vista, é o mesmo funcionamento que leva a acreditar igualmente na existência da cornucópia mágica, que tanto pode ser o rodar de dinheiro incessante e infinito característico do período inflacionário, como os ganhos igualmente infinitos num mercado acionário que só sobe, e não cairá nunca.

Em ambos os casos, parecemos ter operações psíquicas equivalentes em ação, e aí estaríamos adentrando um terreno de maior aprofundamento do funcionamento da personalidade, que não se limita a descrições fenomenológicas ou estatísticas. Num certo sentido, poderíamos dizer que a natureza humana dá preferência, pelo menos inicialmente, à ilusão. E até mesmo acrescentar, que pode eventualmente – e isso é o mais frequente – pagar um pedágio elevado por essa escolha.

Essa hipótese nos convidaria a observar de que forma os E.U.A. estão reagindo às novas condições, e se, por exemplo, poderemos detectar sinais equivalentes aos que encontramos aqui logo após o início da vigência do Plano Real, que também impôs uma série de modificações na vida econômica, e consequentemente, recebeu diversas representações na dimensão da subjetividade.

De que maneira os pequenos empresários americanos estão 'sentindo' o final do período de euforia e crescimento que pareceria não ter fim nunca? O que essa nova noção implica em termos de decorrências para a administração de seus negócios? Qual a sua visão hoje da situação do país como um todo? Haverá pontos em comum com a experiência brasileira?

Este é apenas um exemplo de por onde uma pesquisa dentro da psicologia econômica poderia nos conduzir, aqui ressaltando aspectos trans-culturais. E como estamos levantando as possibilidades da psicanálise contribuir de formas específicas e peculiares a estudos desse tipo, vamos pensar agora como, e para quê, isso poderia ser feito.

Um primeiro fator, já mencionado brevemente, diz respeito ao treinamento do psicanalista no campo da epistemologia. Quero dizer com isso, que a bagagem do psicanalista, tanto no que se refere à disciplina cotidiana de rigor, isenção e continência na observação e exame do mundo mental, quanto no fato de ter que enfrentar quase inevitavelmente críticas e suspeitas – e até hoje isso existe – o que o torna talvez mais capaz de um pensamento independente, dispensando o aval onipresente de autoridades, e se sentindo razoavelmente à vontade para se 'embrenhar' onde quer que sua investigação o leve.

O conjunto dessas características parece favorecer de maneira decisiva a atividade de pesquisa, em especial quando esta se dá no campo psíquico, como é o caso da psicologia econômica. Aliás, o fato de eu não haver ainda encontrado colegas dentro da IAREP que se dediquem a esta abordagem parece também significativo – é possível que ainda não haja um espaço mais claro para a psicanálise dentro dela, o que nos 'chama' a pelo menos discutir o tema.

O psicanalista não tem o hábito regular das estatísticas, das fórmulas matemáticas, das diferentes metodologias de pesquisa que costumam caracterizar os trabalhos científicos e acadêmicos. Por outro lado, ele pode não apenas ingressar nesse terreno, se assim se fizer necessário, mas de qualquer modo, está pronto para oferecer suas habilidades no sentido de 'fazer boas perguntas e fornecer boas respostas teóricas', como espera o programa de mestrado que eu já citei, e também, da capacidade de olhar a realidade por diferentes ângulos, e ter sua atenção atraída por detalhes que talvez escapassem a olhos não tão habituados a 'anomalias', que é uma das matérias-primas do psicanalista.

Além disso, fica também a hipótese de que possa haver muitas vezes essa espécie de 'pudor' que caracteriza frequentemente a abordagem de questões relativas a dinheiro, e que pode até mesmo se transformar em tabu, impedindo então o acesso a elas de forma mais livre e ampla. É claro que o psicanalista não se encontra num tipo de olimpo, acima do bem e do mal, mas espera-se que ele, mesmo tendo dificuldades também para lidar com essa área, terá pelo menos alguma noção de que essa limitação existe, e a levará em conta em seu trabalho. Afinal, seu exercício diário se pauta pela tentativa de trazer o maior número possível de elementos para o acolhimento de sua consciência.

Mais um exemplo: Stephen Lea, o professor de Exeter que eu já mencionei, deu uma palestra na Sociedade Britânica de Psicologia no ano passado, com o título: 'Ganhando dinheiro a partir da psicologia: podemos prever o comportamento econômico?' ( em inglês – 'Making money out of psychology: can we predict economic behaviour?'). Essa palestra recebeu atenção da mídia, e o artigo que se referiu a ela, tinha a seguinte chamada – 'se você é tão inteligente, por que você não é rico?' ('if you're so smart, why aren't you rich?'), que seria uma pergunta proposta aos economistas.

A idéia é atraente, e é interessante acompanhar como Lea desenvolve o tema, sempre com uma grande preocupação de afastar essa possibilidade – ele brinca, por exemplo, que usou aquele título para garantir que teria a atenção ao menos inicial dos ouvintes, e termina com outra brincadeira, dizendo que, se suas conclusões estiverem corretas, as pessoas que o estiveram escutando podem de fato passar a se interessar por psicologia econômica, e isso as levaria então a comprar seus livros – e assim, pelo menos ele estaria sim conseguindo ganhar dinheiro com psicologia. Só depois dessa brincadeira é que ele levanta os três pontos finais a sério, sobre as razões pelas quais os psicólogos não deveriam deixar de levar em conta o comportamento econômico: em primeiro lugar, porque o público em geral precisaria de informações imparciais a esse respeito; em segundo lugar, por ele se constituir numa grande parte da vida das pessoas; e por fim porque seu estudo pode iluminar diversos pontos da teoria psicológica.

Não podemos deixar de concordar com suas considerações, todas elas de máxima importância, inclusive se pensarmos nas dimensões mais amplas da vida do país, por exemplo. Não pretendo discutir aqui se é possível prever o comportamento econômico ou não, e portanto, ganhar dinheiro com isso, até porque sabemos bem que não somos capazes de prever qualquer coisa com precisão matemática no campo das emoções humanas, que constituem a essência de seu comportamento. O ponto que pretendo ressaltar é a maneira como essa limitação é tratada pelo psicólogo, e como poderia vir a sê-lo pelo psicanalista, e afinal, como ambos poderiam se encontrar de forma complementar e estimulante. O objetivo não é de fato, 'prever e ganhar', interessando mais o aspecto da investigação, da ampliação do campo, do desenvolvimento da capacidade de pensar e aprender com a experiência.

Assim, ele se refere aqui à importância que o chamado 'princípio da reflexividade' pode ter no comportamento econômico geral, inviabilizando por essa razão também qualquer tentativa de previsão mais a longo prazo. Este princípio guarda uma certa equivalência com o principio da incerteza ou indeterminação postulado pelo físico quântico Heisenberg, segundo o qual a própria observação dos fenômenos já os modifica, isto é, a presença mesma de um observador já deixaria o mundo de forma inevitavelmente diversa de como estaria na sua ausência. Dessa forma, no momento em que um economista prevê que os juros cairão, e portanto faz suas aplicações levando essa variável em conta, e outros observam e seguem seus movimentos, por essa razão mesma é que os tais juros poderiam deixar de cair, uma vez que o cenário já não seria o mesmo daquele observado originalmente, e sobre o qual a previsão inicial teria sido feita.

Lea dá o exemplo de uma pesquisa feita por psicólogos alemães (Borges, Goldstein, Ortman e Gigerenger), que pediram a pessoas que passavam pela rua, em Frankfurt, que dessem o nome das 10 maiores empresas americanas, onde então aplicaram algum dinheiro, e efetivamente tiveram um certo lucro. Pediram também a experts em investimentos, que os aconselhassem a fazer aplicações equivalentes, e segundo eles, como os experts detestam dizer o óbvio, eles preferiram indicar empresas menores, mais obscuras, e que na verdade não dariam tanto retorno quanto as primeiras. No entanto – e aqui entra o princípio da reflexividade – se todos persistissem com as mesmas tendências de aplicações, cada um no seu rumo original, o panorama mudaria também.

Dessa forma, uma conclusão possível, de acordo com ele, é que ao estudarmos as dimensões sociais do mundo, acabamos mudando-o também. É uma idéia instigante, e poderia ter seus contornos expandidos na medida da riqueza e aprofundamento de nossas conclusões a seu respeito. Daí a importância desse casamento potencial.

O psicólogo econômico vem desenvolvendo diversos instrumentos de pesquisa que o psicanalista está longe de dominar no momento, mas teria que se aproximar deles para iniciar estudos mais sistemáticos nesse campo. Do outro lado, o psicólogo poderia ser estimulado pelas idéias desenvolvidas pelo psicanalista a respeito do funcionamento mental, e portanto, avançar de forma significativa seu estudo do comportamento humano, seja individual ou grupal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS – a construção da soma

No meu caminho, talvez eu tenha experimentado 'ao vivo' os dois lados, o que vem a me deixar irremediavelmente na sua intersecção – comecei a trabalhar o tema porque ele foi me interessando cada vez mais a partir da minha experiência no consultório, com clientes em análise. Fui desenvolvendo em paralelo tanto uma atividade teórica, que era preparar a dissertação sobre os fatores emocionais que podiam ser encontrados na vivência da inflação, e depois, da estabilização da moeda, com destaque para a ilusão, como também num trabalho prático de consultoria que segue essas mesmas bases – chamar a atenção para o componente psíquico, emocional, presente na administração do trabalho, negócio, carreira ou desemprego, e dinheiro, e pensar o que é possível fazer para desenvolvê-lo. Foi praticamente apenas depois de terminar a dissertação, e já com alguns anos de experiência na consultoria, que me dei conta de que tudo isso se situava no campo da psicologia econômica. Logo no início, em 95, eu havia entrado em contato com um professor na Nova Zelândia, Simon Kemp, que me deu algumas das primeiras coordenadas sobre o assunto, bem como com o livro de Lewis, Webley e Furnham, 'The new economic mind', indicado pelo professor Sigmar Malvezzi, na pós. Mas foi preciso que alguns anos se passassem para que essa idéia – e sentimento – de pertinência pudessem sair da incubação e entrar então numa fase de realização mais ativa.

Uma das questões que levanto para terminar, é de que maneira poderíamos tentar transpor os paradigmas, os modelos epistemológicos que ajudam a psicanálise a pensar sobre o funcionamento da personalidade, para o campo da psicologia econômica, de forma a que todos 'lucrem' - para usar uma palavra bem a propósito!

Com relação às perspectivas do Brasil, acredito que possamos dedicar atenção a caminhos já abertos pelos pesquisadores em outros países, e refletir sobre a possível utilidade de pesquisar linhas semelhantes aqui também, tais como a grande preocupação com a poupança, que está presente no trabalho de diversos economistas experimentais. Sem um movimento geral de poupança nacional, qualquer país fica muito mais à mercê de ataques especulativos e movimentos de turbulência interna e externa – mas como e por quê uma população decide guardar ou não dinheiro? Essa decisão está sujeita a que tipos de fatores? Qual o grau de consciência que a população tem sobre a importância dessa decisão, e a que anseios ela responde? Estas são algumas perguntas que poderiam ser feitas aqui, e se Stephen Lea estiver certo, debruçar-se sobre elas já poderia representar um início de transformação.

Também o estudo de situações em que teríamos a chamada 'exuberância irracional' em ação, seja com relação ao mercado acionário, à inflação, ou qualquer outro evento da experiência econômica coletiva, pode se mostrar de grande utilidade, lembrando que é fundamental que o público em geral possa ter acesso a informações isentas, a fim de melhor decidir suas opções de administração da sua vida econômica. Ou ainda, as possibilidades de mudança no sistema tributário, que se pautariam não apenas pelos fatores puramente fiscais, mas por outros, de natureza cultural ou psicológica, como propunha o economista Robert Frank, na eventualidade de uma vitória de Al Gore.

Naturalmente, seria desejável também, que temas específicos do Brasil pudessem ser igualmente selecionados para receber essa atenção e estudo, uma vez que temos um campo tão vasto para investigar e uma necessidade tão grande de ampliar o numero de alternativas para chegarmos a um desenvolvimento mais satisfatório. Numa outra etapa podemos pensar também em estudos transculturais, onde a comparação com a situação de outros países pode nos permitir tecer uma espécie de 'crivo' por onde passar dados e metodologias, com vistas a aperfeiçoar uma epistemologia característica desse campo.

Acho importante lembrar que a psicologia econômica teve início modestamente, com estudiosos começando a trocar idéias sobre suas descobertas, e vem crescendo desde então de maneira cada vez mais vigorosa. Aliás, esse ritmo de início e crescimento tampouco é estranho aos psicanalistas – no começo era Freud, e durante muitos anos, era Freud e aquela meia dúzia que ficou eternizada na foto tão popular que retrata o 'grupo das quintas-feiras'.

O que poderá acontecer então, se quem tiver interesse nessa área, começar a dar os primeiros passos, em conjunto? – psicólogos, psicanalistas, economistas, e quem mais vier...

Vera Rita de Mello Ferreira – psicanalista e consultora na área de desenvolvimento profissional; autora do livro "O Componente Emocional"; mestra em Psicologia Social do Trabalho (IP-USP); membro da IAREP-The International Association for the Research in Economic Psychology; ex-professora de Psicologia na UnG; website: www.verarita.psc.br; email: verarita@verarita.psc.br

RESUMO: A apresentação tem o objetivo de traçar o percurso que caracteriza o nascimento da psicologia econômica e da economia comportamental como disciplinas específicas, suas linhas de pesquisa, possibilidades de atuação e alguns autores de destaque; chama a atenção para a presença ainda menos que incipiente no Brasil, e propõe alternativas para ampliar esse campo aqui, em combinação com a psicanálise.

PALAVRAS-CHAVE: anomalia; dinheiro; economia; emoção; funcionamento mental; ilusão; inflação; irracionalidade; psicanálise; psicologia econômica.

REFERÊNCIAS

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________ (1930) “O Mal-estar na Civilização”, vol.21, idem.

KLEIN, M. - (1946) “Notas sobre alguns Mecanismos Esquizóides”, in

“Os Progressos da Psicanálise”, Zahar, Rio de Janeiro, 1982.

________ (1952) “Algumas Conclusões Teóricas sobre a Vida Emocional do Bebê”,

idem.

________ (1963) “Nosso Mundo Adulto e suas Raízes na Infância”, in ''O Sentimento

de Solidão”, Imago, Rio de Janeiro, 1985.

LEA, S.E.G. – ''Making money out of psychology: Can we predict

economic behaviour?'', palestra proferida para a British

Psychological Society, na Annual Conference, Winchester, 15

de abril de 2000.

LEWIS,A., WEBLEY,P. & FURNHAM,A. - “The New Economic Mind - the social

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Harvester/Wheatsheaf, London, 1994.

REZZE, C. - “Um Paradoxo Vital: Ódio e Respeito à Realidade Psíquica”,

in“Perturbador Mundo Novo”, Escuta, São Paulo, 1994.

SHILLER, R. – ''Exuberância irracional'', Makron Books, São Paulo, 2000.

WEBSITES

- apresentação sobre IAREP – www.exeter.ac.uk/~SEGLea/iarep/info.html

- apresentação sobre SABE – www.usask.ca/economics/SABE

- apresentação sobre linhas de pesquisa em Exeter – www.ex.ac.uk/~SEGLea/ecopsygp/

- apresentação sobre o programa de mestrado em psicologia econômica na

Universidade de Exeter – www.ex.ac.uk/~nejones/pg/econ.htm

- apresentação de seminários da EIASM – www.eiasm.be

- edição de 11.02.01 do jornal ''The New York Times'', com os artigos

''Exuberance is rational'', por Roger Lowenstein, sobre Richard Thaler, e

''Some economists call behavior a key'', por Louis Uchitelle, sobre David

Laibson e Sendhil Mullainathan – www.nytimes.com

ENTREVISTA

- gravação de entrevista concedida a Lucas Mendes pelo economista Robert Frank, professor da Universidade de Cornell no canal Globo News, em 03.10.2000.

AGRADECIMENTOS

- Agradeço também aos seguintes professores as informações fornecidas,

pessoalmente ou pela internet, a respeito de psicologia econômica e economia

comportamental:

- Paul Webley – professor da Universidade de Exeter e presidente da IAREP;

- Stephen Lea – professor da Universidade de Exeter e membro da IAREP;

- Hugh Schwartz – foi professor visitante na Universidade do Paraná e membro da

SABE;

- John Tomer – professor do Manhattan College e presidente da SABE;

- Simon Kemp – professor da Universidade de Canterbury e membro da IAREP;

- Alice Moreira – professora da Universidade do Pará e membro da IAREP;

- Dante Aldrighi – professor da FEA-USP;

- Thomaz Jensen – economista graduado pela FEA-USP.

 

 

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